BEM-VINDO AO NOSSO BLOG!


Com muita alegria apresentamos o blog da Paróquia Evangélica Luterana Renascer em Cristo , com sede em Rio Branco, AC.


Além da sede, que fica no bairro Estação Experimental, no caminho do aeroporto, temos também um ponto de pregação aqui na capital no bairro Areal.


No interior atendemos Brasiléia, na divisa com a Bolívia, a 230 Km de Rio Branco, e Redenção e Ramal do Bigode, município de Acrelândia, a 110 Km da capital. Outro ponto de pregação fica na estrada que vai a Porto Acre, a 35 Km daqui.


Queremos compartilhar com vocês mensagens, fotos, informações e notícias de nosso trabalho, com o grande objetivo de levar Cristo para todos, especialmente em nosso estado e região, com é o lema de nossa IELB - Igreja Evangélica Luterana do Brasil.


Um grande abraço, no amor de Cristo!



Pastor Leandro.






terça-feira, 30 de outubro de 2012

Levemos cegos a Jesus!


Leia em sua Bíblia Marcos 12.46-52

Você já se imaginou vivendo sem enxergar nada? Nós que podemos ver, mesmo que usando de óculos, não temos como sentir na pele o que é ser e viver como um cego.


Os deficientes visuais e outros portadores de deficiências físicas e mentais vivem uma vida mais difícil que a nossa, apesar de aos poucos a sociedade estar adaptando os ambientes para facilitar o acesso deles à escola, transporte, saúde, etc.


Na época de Jesus a vida dos deficientes era muito pior. Não havia os recursos de hoje e nem a preocupação em ajudar essas pessoas a viver melhor.


E, pior, naquela época, ser surdo, cego ou paralítico era visto com um sinal de que a pessoa ou seus pais tinham cometido algum pecado grave para a pessoa ser assim. Então, além da dificuldade em si, carregavam a vergonha de serem vistos como amaldiçoados.


Por isso, quando o cego Bartimeu pediu a Jesus para ver de novo, ele não queria apenas enxergar novamente, mas queria ter uma vida nova, digna, livre de culpa e vergonha. Queria não ser mais discriminado e se sentir como alguém que não valia nada.


Hoje muita gente vive como o cego Bartimeu, mesmo sem ser cego fisicamente. Dificuldades, como doenças, desemprego, problemas familiares, levam as pessoas a pensar: “por que isso está acontecendo comigo? O que eu fiz para merecer isso? Será que Deus não gosta de mim?”


Esta era também a angústia de Lutero. Ele sofria muito tentando descobrir como agradar a Deus, e cada vez ficava mais angustiado, achando que Deus era muito severo e não gostava dele.


         O que poderia aliviar Bartimeu, Lutero e os que hoje sofrem como eles sofriam? Bartimeu queria ver de novo, e menos que isso não ia ajudá-lo muito. Para as pessoas de hoje, apenas ter dó delas também não ajuda muito, e muito menos a gente ignorar que elas estão ao nosso redor – às vezes bem perto, na família – ou desprezá-las, o que como cristãos não podemos nem pensar em fazer.


Os conhecidos de Bartimeu não podiam fazer muito por ele e até o mandaram ficar quieto quando começou a gritar chamando Jesus. Talvez pensaram que era chato o cego ficar incomodando Jesus.


Mas Bartimeu insistiu e gritou mais: Jesus, Filho de Davi, tenha pena de mim! Só ele sabia a vida miserável que levava e por isso queria que Jesus o ajudasse.


Jesus então mandou chamá-lo. E aí talvez os mesmos que o mandaram ficar quieto foram chamar o cego e lhe disseram: Coragem! Levante-se porque ele está chamando você! Jesus perguntou-lhe o que queria e, por causa da fé dele no Filho de Davi, Jesus o curou da sua cegueira e Bartimeu então o seguiu.


E hoje, o que podemos nós fazer pelos que sofrem? Muitas vezes não podemos resolver os problemas financeiros e de saúde das pessoas, mas podemos, como igreja e como cristãos individualmente, dizer às pessoas o que aquele cego ouviu: Coragem! Levante-se porque ele está chamando você!


Foi isto que Lutero fez, depois que Deus lhe abriu os portões do céu, quando ele descobriu, pelo estudo da Palavra, que Deus não é um juiz severo e sim um Pai amoroso, que oferece salvação de graça a todas as pessoas pela fé em Jesus Cristo. Sua angústia acabou quando ele soube que Deus o amava mesmo sendo pecador, e que ele não precisava fazer sacrifícios e obras para ser salvo.


Lutero então assumiu como a grande missão de sua vida anunciar a todos que pudesse que Jesus está perto de todas as pessoas que sofrem e quer ajudar a todos com seu amor e salvação.


         Esta é nossa grande missão também: estar com os bartimeus de hoje, andar com eles e conduzi-los até Jesus, pois, afinal, cegos pelo pecado, como Lutero e nós também fomos, essas pessoas não podem sozinhas chegar a Jesus.


Alguns podem dizer que isso é pouco, é simples demais e que a gente deveria fazer coisas mais chamativas, impactantes, como prometer curas, resolver problemas financeiros, prometer famílias perfeitas e ter cultos mais “show”, como muitos fazem por aí.


Mas, é realmente pouco e simples levar alguém a Jesus? Não é pouco, pois Jesus diz que vai haver mais alegria no céu por um pecador que se arrepende dos seus pecados do que por noventa e nove pessoas boas que não precisam se arrepender (Lc 15.7). E não é uma coisa simples, pois foi para isso que Jesus veio ao mundo e deu sua vida na cruz, para buscar e salvar quem está perdido, como ele mesmo diz em Lucas 19.10.


Por isso, o maior serviço que podemos prestar a uma pessoa neste mundo é mostrar Jesus a ela, é levá-la a Cristo, pois ele veio exatamente para curar a cegueira de quem está perdido no pecado, que atinge todas as pessoas do mundo, e para salvar os que estão perdidos em suas angústias, culpas e sentimentos de inferioridade e inutilidade, como ele fez com Bartimeu e com Lutero.


Lutero percebeu que essa era a grande necessidade das pessoas em seu tempo: saber que eram alvo do amor de Deus em Cristo, o Sacerdote perfeito que pede a Deus em nosso favor, como lemos na epístola de hoje. Esta continua sendo a maior necessidade das pessoas hoje também.



Como herdeiros da Reforma, nossa grande tarefa é continuar pregando o Evangelho puro, isto é, que Deus nos salva somente por sua graça, somente pela fé em Jesus e revela isto somente na Escritura, para que as pessoas saibam que Jesus não desprezou Bartimeu, Lutero e não despreza ninguém hoje. Nem sempre ele vai resolver todos os problemas de saúde, dinheiro e família, mas certamente salvará todos que nele confiarem, pois foi para isso que veio – libertar do poder do diabo, do pecado e da morte eterna.
 
 
Como na sua época e no tempo de Lutero, Jesus precisa de gente para essa missão. Ele quer que nós, que já temos essa grande salvação, conduzamos muitos bartimeus a Ele, para que sejam salvos também. Cada um de nós luteranos – crianças, adultos, idosos, pastores, líderes e membros - tem o mesmo chamado de Lutero: levar Cristo para todos, com todos os recursos que temos, em todas as oportunidades.
 
 
Você certamente conhece muitos bartimeus: pessoas na sua família, trabalho, vizinhança, escola ou entre seus amigos e conhecidos que ainda não conhecem o verdadeiro Cristo, o Salvador da alma, que estão cegas pelo pecado ou por falsas religiões.
 
 
Leve Jesus a elas. Use suas palavras, seu comportamento e vida cheios de amor e perdão, use os vários tipos de folhetos e materiais que oferecemos aqui na igreja, use a internet. Jesus quer curar essas pessoas da cegueira espiritual e recebê-las em seu Reino, para que possam segui-lo, como fizeram Bartimeu e Lutero e como nós já fazemos, para um dia estarmos todos com Ele no céu.
 
 
Um dia fomos cegos, como Bartimeu e Lutero. Hoje enxergamos e temos a salvação, pela fé em Jesus. Agora celebremos a Reforma da melhor forma possível: levemos cegos a Jesus! Amém.
 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Para Deus tudo é possível!

Leia em sua Bíblia Marcos 10.17-31

A história do jovem rico no evangelho de hoje facilmente pode nos levar a condenar a atitude daquele moço e concluir que, se os ricos não vão para o céu, certamente os pobres irão, e que nós – ainda bem! – não somos como aquele jovem.


Mas o que Jesus diz ao jovem nos dá algumas pistas de que nós não somos melhores do que ele. Primeiro, Jesus diz que só Deus é bom. Depois, pergunta se ele conhece os mandamentos, mas fala apenas da 2ª tábua – que fala da nossa relação com o próximo. E, por fim, diz ao rapaz para vender tudo que tem e seguir a Jesus.


Vamos entender. Primeiro, dizendo que só Deus é bom, Jesus mostrou ao jovem e mostra a nós que ninguém pode considerar-se bom diante de Deus – ninguém mesmo!


Segundo, ao falar apenas dos mandamentos da 2ª tábua, Jesus queria ver se o moço ia dizer algo sobre a 1ª tábua, os três primeiros mandamentos, que falam da nossa relação com Deus. O jovem não falou nada sobre eles, exatamente como nós costumamos dizer: “não mato, não roubo, respeito os mais velhos, não faço fofoca”, etc. Mas, raramente dizemos: “amo a Deus acima de tudo, uso o seu nome corretamente, santifico sempre o dia de descanso usando-o para o culto a Deus”, etc.


Terceiro, ao pedir ao jovem que vendesse tudo e o seguisse, Jesus queria ver onde o coração dele ia se agarrar e firmar – em Jesus ou em suas riquezas materiais. Assim Jesus faz com a gente hoje, ao pedir toda nossa vida consagrada a Ele, inclusive nossos bens, e temos que decidir como vamos usar tudo o que Deus nos dá.


Jesus ensina ao jovem rico e a nós que não podemos de jeito nenhum confiar em nosso cumprimento dos mandamentos nem em nossas posses para ter a vida eterna, mas devemos segui-lo e confiar nele totalmente, que é o mesmo que fazer o que diz o 1º Mandamento – colocar Deus acima de tudo e como o centro de toda nossa vida.


O que aconteceu na conversa entre Jesus e o jovem rico ainda acontece hoje: a luta do diabo para nos fazer crer que podemos servir a dois senhores ao mesmo tempo – às riquezas e à Palavra de Deus, ao mundo pecaminoso e ao Salvador Jesus. O mundo cada vez mais coloca o consumismo, a prosperidade e o individualismo como virtudes, contra uma vida controlada por Deus e centrada e dependente de Cristo. E até algumas “igrejas” pregam isso!


Mas Jesus é duro contra essa ideia, quando diz: Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! É mais difícil um rico entrar no Reino de Deus do que um camelo passar pelo fundo de uma agulha (v. 24b-25).


A Palavra de Deus é muito clara: quem confia em suas riquezas não entra no Reino de Deus. Quem acha que colherá uma recompensa eterna semeando riquezas neste mundo, em vez de viver sua vida em Cristo e aceitar pela fé o que Deus lhe dá, tanto bênçãos físicas como espirituais, não verá os portões do céu se abrirem no dia do juízo.


Jesus, porém, não está ensinando que os pobres serão salvos porque não tem riquezas neste mundo, ou que nós nos salvamos porque não somos como aquele jovem rico. Na verdade ninguém tem em si poder para se salvar e, quando confiamos em nós mesmos, em nossa pobreza ou riqueza material, em nossas boas ações na igreja e na vida diária, transformamos essas coisas em nosso deus e, exatamente como o jovem rico, não temos Jesus em primeiro lugar.


Por isso, dependemos totalmente de Jesus. Ele, e somente Ele, faz o que é impossível para nós: Ele salva tanto o rico como o pobre por sua graça, pois nos olha com amor profundo, como olhou para aquele moço. Ele é nossa única esperança, o verdadeiro Deus e Salvador, que começa e aperfeiçoa em nós a fé verdadeira, que nos dirige no caminho da salvação.


Ele nos dá perdão de pecados, e onde há este perdão há salvação e vida eterna. E já aqui neste mundo desfrutamos das riquezas do seu Reino, ainda que ao mesmo tempo soframos perseguições e carreguemos nossa cruz por causa de Jesus. As riquezas do mundo, que tentam sufocar nossa fé e nos desviar do verdadeiro Deus, são insignificantes diante das riquezas de viver em Cristo e ter a vida eterna que já é nossa e em breve será completa para quem crê no Salvador Jesus.


Vale a pena refletir agora: o que nos atrapalha para seguirmos Jesus e viver com ele cada dia? O consumismo e as promessas de prosperidade tem nos desviado do verdadeiro propósito que Jesus tem para nossas vidas? Será que não ficamos tristes e de cara fechada, como o jovem rico, quando somos chamados a abrir mão de confortos, dinheiro e bens para servir a Jesus em sua Igreja e Reino?


O que nos impede de ter mais comunhão com Cristo e nossos irmãos na fé – muita TV, internet, o trabalho, a diversão, o descanso? O que nos faz às vezes (alguns muitas vezes!) deixar de lado até o nosso encontro especial com Jesus e os irmãos nos cultos, onde Ele vem a nós na Palavra e Sacramento?


Nosso eu pecador continua, meus irmãos, procurando em 1º lugar as coisas deste mundo e seus próprios desejos em vez das coisas de Deus e de seu Reino. E até nossa morte seremos tentados pelo diabo a deixar Jesus e seu maior tesouro – a salvação – de lado, e a buscar as coisas materiais e a salvação por conta própria.


E, se caímos nesta tentação, é impossível sermos salvos. Mas, graças a Cristo, Deus torna a salvação possível. Jesus deixou a riqueza do céu e tornou-se um pobre ser humano para buscar e salvar os perdidos – cada um de nós. Por causa de Jesus Deus torna o impossível ser possível – nossa salvação.


E, já salvos, Deus nos dá agora poder, pelo Batismo, a Palavra e a Santa Ceia, para lutarmos contra as tentações e nos lembra que não podemos servir a dois senhores nem salvar-nos por nós mesmos.




Por isso, peçamos a Deus um coração fiel e crente e não duro e descrente, como lemos em Hebreus, e animemos uns aos outros, a fim de não sermos enganados pelo pecado nem endurecermos nosso coração e fecharmos a cara, como fez o jovem rico.


E lembremos sempre: para nós é impossível salvar-nos, mas para Deus tudo é possível. Em Cristo Ele nos dá a riqueza da sua salvação, Ele quer ser cada dia o nosso Deus, cheio de amor e misericórdia, que salva pobres e ricos, que está com a gente na pobreza e na riqueza, no tempo bom e ruim, e que quer um dia derramar sobre nós todas as riquezas do seu Reino eterno!


Para Deus tudo é possível – até salvar vocês e eu. Amém.

 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Avenida Brasil

 
Avenida Brasil
Os recordes de audiência da novela Avenida Brasil fizeram com que a própria presidente Dilma Rousseff alterasse a data de um comício em São Paulo nesta sexta-feira, na hora do último capítulo. Concluíram que “não haveria ninguém” para prestigiar a presidente. Eles têm razão. Conforme pesquisa, nos últimos dias sete em cada dez pessoas que assistiam TV em São Paulo estavam ligadas na novela das 21h – que representa a média nacional. Ninguém pode menosprezar os motivos para tanta audiência, sobretudo nos quesitos qualidade técnica, interpretação, roteiro das novelas da Globo. Mas é preciso refletir em algumas coisas.
Dias atrás, caminhando pela calçada, ouvi uma menina de uns três anos dizendo para a mãe: “O Max não morreu, ele vai voltar e ficar com a Carminha”. Fiquei pensando com meus botões: O quê passa na cabeça de uma criança ao assistir esta novela? Aliás, até onde as novelas moldam a vida dos brasileiros? Traição, adultério, poligamia, licenciosidade, libertinagem sexual, enfim, um mundo de coisas que até tempos atrás eram imorais para a grande maioria. E hoje? As novelas, com poucas exceções, condenam injustiças sociais, falcatruas, desonestidade, roubos – este tipo de imoralidade. Mas impiedosamente elas maltratam os conceitos tradicionais do casamento, da família, da sexualidade. E quando padres, pastores, religiosos cristãos são interpretados, tais personagens geralmente são moralistas hipócritas, falsários, e até motivo de avacalhação.
Avenida Brasil está no fim, mas o quê as crianças, jovens e adultos aprenderam sobre o matrimônio? Vale ainda a recomendação(?): “Seja fiel à sua mulher e dê o seu amor somente a ela” (Provérbios 5. 15); “Que o casamento seja respeitado por todos, e que os maridos e as esposas sejam fiéis um ao outro”(Hebreus 13.4). Se não tirarmos os pequenos da sala na hora da novela, que ao menos digamos a eles em certas cenas: Isto é feio!
 
 
Pastor Marcos Schmidt

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Como entramos no Reino de Deus?

 
Leia em sua Bíblia Marcos 10.2-16
 

O evangelho de hoje tem pelo menos dois assuntos muito importantes para refletirmos: casamento e divórcio, e como entramos no Reino de Deus. Quero hoje conversar com vocês sobre este último: Como entramos no Reino de Deus?
 

Como entramos no Reino de Deus? Como podemos ser salvos? Como vou para o céu? Como ter vida após a morte? Essas são perguntas que, de uma ou outra forma, todo ser humano se faz, em algum momento de sua vida. Você talvez já tenha pensado nisso, ou alguém falou sobre isso com você.
 

Como entramos no Reino de Deus? O evangelho e a epístola de hoje nos dão a resposta a esta pergunta. E dão a única resposta correta e verdadeira, pois vem da boca do próprio Deus.
 

Primeiro, entramos no Reino de Deus recebendo-o como as crianças, como Jesus diz nos versículos 14-15: Deixem que as crianças venham a mim e não proíbam que elas façam isso, pois o Reino de Deus é das pessoas que são como estas crianças. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quem não receber o Reino de Deus como uma criança nunca entrará nele.
 

Então é por isso que muitas igrejas não batizam crianças – é porque elas são puras, não tem maldade nem pecado e Jesus diz que o Reino de Deus pertence a elas – certo? Não, errado! Isto é muito diferente do que Jesus quis dizer.
 

Nós entramos no Reino de Deus se o recebemos como uma criança, não porque a criança é pura e por isso merece este reino, mas porque as crianças são dependentes dos outros e não podem fazer nada para merecer e receber o que necessitam.
 

Ou seja, assim como uma criança depende totalmente dos pais e adultos para comer, vestir-se, limpar-se, ter abrigo e proteção, e nada pode fazer ou pagar para receber isso, assim entra no Reino de Deus quem sabe que este Reino deve ser recebido como um presente gracioso de Deus, e não por algum esforço ou merecimento nosso.
 

As crianças tem pecado sim – o chamado pecado original, herdado dos pais, que vem desde Adão e Eva. É uma doença mortal com a qual todos nascemos e nos separa totalmente de Deus e de seu Reino. A Bíblia diz isso em textos como Sl 51.5, 58.3; Jó 14.1-4, 25; Rm 6.23. Por nascerem de seres humanos, como diz Jesus em João 3.6, elas nascem inclinadas ao mal e ao pecado.
 

Por outro lado, além de sua total dependência dos adultos, as crianças tem uma confiança sincera nos pais e adultos, entregando-se e confiando neles totalmente. Essa mesma confiança devemos ter em nosso Deus, entregando sem medo nossa vida em suas mãos, pois Ele quer nos curar da doença do pecado.
 

Aqui vale uma observação: há pessoas que dizem que um adulto pode ter fé, mas uma criança não. Isto contraria as Escrituras, que ensinam que, se a fé é algo que uma pessoa faz ou realiza, então a fé não é um dom de Deus, mas um resultado de obras. E aí o apóstolo Paulo diz: E se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça (Rm 11.6). E o próprio Jesus diz em Mateus 18.6 que as crianças creem, e em Mateus 21.15-16 que elas louvam a Deus – e isso só pode fazer quem tem fé!
 

Como entramos no Reino de Deus? Entramos no Reino de Deus se o recebemos como uma criança e, também, entramos nesse Reino guiados por Jesus. Em Hebreus 2.10 lemos: Deus fez isso a fim de que muitos, isto é, os seus filhos, tomassem parte da glória de Jesus. Pois é Jesus quem os guia para a salvação.
 

Para ter o Reino de Deus não basta sermos como crianças. É necessário ser abençoados por Jesus, como foram as crianças no evangelho lido. É necessário sermos guiados por Ele, que diz: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Para isso, Ele tem de vir a nós e nos receber como seus irmãos, de braços abertos.
 

E Jesus vem. Vem a mim e a você na Palavra de Deus, no Batismo e na Santa Ceia. Através destes meios – os meios da graça – os canais pelos quais a graça de Deus chega até nós, Jesus nos atinge. Ele não somente cria, mantém e fortalece a fé em mim, em você e em cada cristão, mas também através desses meios somos guiados por Jesus. E isto só pode acontecer porque primeiro Cristo se sacrificou por nós e nos purificou com seu sangue.
 

Então, entramos no Reino de Deus sendo purificados por Jesus. A epístola diz isso: Jesus purifica todas as pessoas dos seus pecados; e todos, tanto ele como os que são purificados, tem o mesmo Pai. É por isso que Jesus não se envergonha de chamá-los de irmãos (Hb 2.11).
 

Esta purificação aconteceu quando ele foi preso, torturado e morto na cruz por nós, em nosso lugar, sem merecer, derramando ali seu sangue puro, santo e precioso para nos purificar de toda maldade.
 

Esta purificação foi feita por todos os seres humanos do mundo, mas se aplica somente a quem, como uma criança, reconhece que nada merece de Deus, que depende totalmente dele e, movido pelo seu Espírito Santo, entrega toda sua vida nas mãos do Pai, pela fé no Salvador Jesus Cristo.
 

Como entramos no Reino de Deus? Nós não entramos, meus irmãos, por fazer coisas como vir à igreja, ofertar, ler a Bíblia, ajudar o próximo, etc., ou por ser boa pessoa, ou por fazer promessas e sacrifícios, ou porque há algo em nós que agrade a Deus. Nós entramos somente pela Escritura, somente pela graça e somente pela fé, como Lutero, o reformador da Igreja, descobriu na Palavra de Deus.
 

Ou seja, nós somos colocados por Deus em seu Reino por sua graça – favor imerecido, e pela fé somente em Cristo, e isto é revelado a nós somente na Palavra de Deus, e não em visões, revelações, decretos religiosos ou doutrinas humanas.


Você e eu entramos no Reino de Deus assim – recebendo-o como um presente de Deus que não merecemos e não podemos pagar, através de uma fé simples e confiante como a de uma criança, pela total dependência desse Deus que nos ama e nos purifica através de seu Filho, morto na cruz e ressuscitado para nos dar a verdadeira salvação.
 

Que todos nós entremos no Reino de Deus, crendo em Jesus como uma criança e sendo guiados e purificados por Ele. Ele tem um lugar especial para nós em seu Reino, onde nos espera para nos abraçar e abençoar eternamente! Amém.
 

domingo, 30 de setembro de 2012

De que lado nós estamos?

Leia em sua Bíblia Marcos 9.38-50


Duas situações que acontecem hoje no Brasil nos fazem pensar em escolhas e sobre de que lado nós estamos: o julgamento do chamado “mensalão” no STF, onde os juízes tem que decidir se ficam a favor ou contra os réus, isto é, se os condenam ou absolvem; e as eleições, onde necessariamente temos que ficar do lado de apenas um candidato a prefeito e um a vereador.
 

Em nossa vida temos que decidir muitas vezes de que lado estamos, e às vezes isso nos faz ficar contra outras pessoas ou opiniões, ou, mesmo que não queremos, outros ficam contra nós.
 

No evangelho de hoje temos uma situação assim. Quando os discípulos de Jesus viram um homem expulsando demônios em nome de Jesus, o proibiram de fazer isso, pois ele não era do grupo deles. Mas ao contarem isso a Jesus, a resposta do Mestre os surpreendeu: Não o proíbam, pois não há ninguém que faça milagres pelo poder do meu nome e logo depois seja capaz de falar mal de mim. Por quem não é contra nós é por nós (v.39-40).
 

Jesus mostrou que o tal homem estava do lado deles e não contra eles. E nós, de que lado nós estamos? Podemos responder a esta pergunta sem vacilar? De que lado nós estamos – com Jesus ou contra Jesus?
 

De que lado nós estamos? Parece que a resposta é fácil e obvia. Mas, se formos bem honestos, vamos ver que muitas vezes é difícil mostrar de que lado estamos. Vamos pensar um pouco: como nós temos usado o nome que está acima de todos os nomes, o nome diante do qual todos os joelhos se dobrarão um dia – o nome do Salvador e Senhor, o Deus verdadeiro – Jesus Cristo?
 

ü Como esse nome sai de nossa boca – em oração? Em louvor? Em agradecimento? Em testemunho de fé?

ü Usamos esse nome para servir ao próximo, mesmo que seja com um simples copo de água?

ü Se nos perguntarem se nós ouvimos regularmente o nome de Jesus, proclamado na sua Palavra e Sacramentos, o que podemos responder?

ü Usamos o nome de Jesus ou de Deus indevidamente, para dizer toda hora “pelo amor de Deus”  ou “meu Deus do céu”?

ü Usamos o nome de Jesus ou de Deus como muitos o usam por aí, para brincadeiras, zombarias ou como superstição?

ü O nome de Jesus, no qual fomos batizados e unidos ao Deus Triúno, é honrado e embelezado ou desonrado e emlameado pela nossa maneira de falar, agir e viver?
 

De que lado nós estamos? A maneira como usamos o nome de Jesus mostra que muitas vezes não estamos do seu lado. Por não usarmos mais e mais o nome de Jesus para o que deve ser usado, causamos uma má impressão para os que estão ao nosso redor, seja na família, no trabalho ou em qualquer outra situação e lugar em que Deus nos coloca neste mundo.
 

Essas pessoas não são, então, levadas a conhecer e confiar em Jesus, e nós as fazemos tropeçar. E aí em nosso texto Jesus tem uma palavra dura a nos dizer: Quanto a estes pequeninos que creem em mim, se alguém for culpado de um deles me abandonar, seria melhor para essa pessoa que ela fosse jogada no mar, com uma pedra grande amarrada no pescoço (v.42).
 

Ou seja, o mau uso do nome de Jesus tem consequências sérias, e fazer alguém tropeçar na fé ou impedir alguém de chegar a Jesus é algo muito grave diante de Deus.
 

De que lado nós estamos? Como pais e mães, como temos usado o nome de Jesus em nossa casa e família? Nossos filhos, parentes e vizinhos são levados a Jesus ou afastados dele por nossas atitudes? Quem é filho, tem usado bem o nome de Jesus com seus pais e irmãos, na escola, no trabalho e nas diversões? Se somos empregados ou patrões, nossos colegas veem o nome de Jesus bem representando em nossas conversas e atitudes? Enfim, mostramos que estamos com Jesus ou contra ele?
 

Por outro lado, há muita alegria e bênçãos quando esse nome é usado, visto e recebido corretamente! Por esse nome é que o diabo, o mundo, o pecado e a morte são vencidos! O Senhor que tem esse nome tomou a aparência de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos. E, vivendo a vida comum de um ser humano, ele foi humilde e obedeceu a Deus até a morte – morte de cruz (Fp 2.7-8). Este é o verdadeiro propósito e uso desse nome: o perdão de nossos pecados, vida e salvação – salvação para cada um de nós e para todos os pecadores!
 

Quando Jesus diz “se alguém for culpado de um deles me abandonar”, a palavra usada no texto grego original é escandalizar ou causar escândalo. Felizmente, para nós que tantas vezes escandalizamos as pessoas com atitudes nada cristãs, Jesus veio ao mundo para trazer outro tipo de escândalo: o escândalo da cruz.
 

O Cristo crucificado, chamado de pedra de escândalo para os judeus, é ao mesmo tempo aquele que tira de nós o castigo pelos nossos escândalos. Para aqueles momentos em nossa vida em que não usamos o nome de Jesus como deveríamos usar e ficamos contra ele, para as vezes em que fazemos os outros tropeçarem por não mostrarmos que estamos do lado de Jesus, o Cristo crucificado e os escândalo da cruz estão nos livrando da punição que merecíamos.
 

Então, de que lado nós estamos? De que lado você acha que é melhor ficar? O que você acha de usar o nome de Jesus somente da maneira que ele deve ser usado?

 
         Vocês e eu sabemos a resposta. Pois nós não só temos o privilégio de usar o nome do Senhor Jesus para o que é correto, mas nós levamos sobre nós esse nome e pertencemos a ele. Este nome foi colocado em nós quando o pecado, a morte e o diabo foram expulsos de nós, em nosso batismo.
 

É com e por esse nome que nós nos levantamos cada manhã, ó por esse nome que podemos estar aqui agora! Este é o nome mais importante que temos, porque ele marca cada um de nós como pessoas que foram salvas daquele lugar onde os vermes que devoram não morrem, e o fogo nunca se apaga, como diz Jesus hoje.
 

Por isso, vamos encorajar a todos que usam o nome de Jesus e estão ao lado dele para usá-lo para a oração, o lovor, o agradecimento, a pregação do Evangelho, o consolo e fortalecimento uns dos outros e para tudo que este nome nos foi dado. E, como Jesus diz no final do texto, tenham sal em vocês mesmos e tenham paz uns com os outros. Pois aqueles que tem e usam esse nome temperam o mundo com o sabor do Evangelho salvador de Jesus e procuram sempre a paz.
 

Que vocês e eu sejamos aqueles que vão temperar o mundo com as boas novas de salvação que Deus oferece. E, quando alguém nos perguntar: de que lado você está?, vamos responder com toda a convicção: estou do lado de Jesus, meu único, amado e verdadeiro Salvador!
 

Que Deus nos ajude a mostrarmos a todos, com nossas palavras, atitudes e vida, que estamos do lado do Salvador Jesus – o lado da salvação eterna! Amém.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O maior é aquele que serve

Leia em sua Bíblia Marcos 9.30-37


Em nosso Evangelho de hoje, Jesus disse aos discípulos que ele iria ser morto e depois ressuscitaria. Logo depois, durante a viagem a Cafarnaum, os discípulos ficaram discutindo sobre qual deles era o mais importante.
 

Creio que essa discussão pode ter sido causada pelo seguinte pensamento deles: “se Jesus vai morrer, um de nós terá que ser o líder do grupo no lugar dele”. E então, como crianças que discutem sobre qual pai é o mais importante, certamente não chegaram a um acordo, pois é o tipo de discussão que nunca termina.
 

Quando Jesus perguntou-lhes sobre o que discutiam, ficaram quietos, como uma criança surpreendida fazendo uma arte. E então lhes ensinou uma lição que contraria totalmente a visão humana sobre poder, grandeza e importância.
 

Primeiro, Jesus mostra que a ordem das coisas no Reino de Deus é oposta às dos reinos do mundo: Se alguém quer ser o primeiro, deve ficar em último lugar e servir a todos.
 

Jesus mais uma vez coloca de cabeça para baixo o que os discípulos sabiam, como faz também no sermão do monte, por exemplo, em Mateus 5 a 7. O mundo mede a grandeza pela fama, poder, riqueza, pelos aplausos que alguém recebe por suas realizações, por quanta gente está a seu serviço. Assim como hoje, o povo e os líderes no tempo de Jesus se importavam muito com o lugar e o status de uma pessoa na sociedade.
 

Jesus então vem com uma ideia totalmente diferente, nova, podemos dizer até revolucionária aos ouvidos dos discípulos e também para nós hoje: se você quer ser o primeiro, você deve tornar-se servo de todos os outros! Se você quer ser grande aos olhos de Deus, você terá que servir as outras pessoas.
 

Então, podemos dizer que no Reino de Cristo:
 

- não é uma questão de quantas pessoas me servem, mas de quantas pessoas eu sirvo;

- não é uma questão de quantas pessoas me aplaudem e elogiam, mas de quantas pessoas eu encorajo, animo e elogio;

- não é uma questão de quantas vezes as pessoas falam comigo ou me ajudam, mas quantas vezes eu converso com os outros ou os ajudo;

- a maneira de viver não é deixar os outros fazerem todo o trabalho, mas descobrir de que jeito eu posso visitar o desanimado, o doente, o enlutado, o solitário ou o necessitado e ajudá-lo.
 

Enfim, Jesus está nos dizendo que a grandeza no seu Reino está em cada vez mais e melhor servirmos uns aos outros com o mesmo amor que Ele nos serviu e ainda serve.
 

Continuando sua lição sobre o ser importante, Jesus diz: Aquele que, por ser meu seguidor, receber uma criança como esta estará também me recebendo. E o que isto tem a ver com ser grande aos olhos de Deus?
 

É bom lembrarmos que na época de Jesus, as crianças tinham pouco valor e eram muito vulneráveis. Calcula-se que metade das crianças morriam antes dos 16 anos, por fome, doenças, guerras. Por sua fragilidade, elas dependiam em tudo dos adultos, como também é hoje. Alguém naquele tempo valorizar uma criança como Jesus fez nesta e em outras ocasiões, era algo totalmente impensável.
 

Além disso, as crianças não procuram fama, dinheiro, status ou poder como modo de vida. Elas são simples, perdoam com facilidade, são dependentes e confiam nos adultos, não se preocupam com o futuro e não querem ser melhores que os outros, pelo menos enquanto não são contaminadas pelo espírito de competição e disputa do mundo adulto.
 

Quando ajudamos uma criança, ela não pode nos recompensar com riqueza, prestígio ou poder, não pode melhorar nossa posição social. Talvez ela nos diga “obrigado”, e só.
 

Assim, Jesus está nos mostrando que ser grande no Reino de Deus é servir àqueles que são como as crianças – aqueles que não podem nos recompensar, aqueles que são desprezados pelo mundo, aqueles que não vão aumentar nosso prestígio ou riqueza e nem vão nos fazer “aparecer” diante das pessoas.
 

É para este tipo de vida de serviço ao outro que Jesus chamou os discípulos e chama a cada um de nós, hoje. Não é uma coisa fácil de fazermos, porque é muito mais fácil e agradável fazermos coisas que nos trazem elogios e recompensas, ou então pagarmos para alguém fazer o serviço por nós...
 

Não é um estilo de vida fácil porque nossa natureza pecadora nos faz pensar em nós mesmos em primeiro lugar, em nossas necessidades e preferências em vez de nas dos outros.
 

Não é fácil viver assim porque aí estaremos fazendo o que Deus espera de nós, e não o que o mundo e o diabo querem. Como diz Tiago em sua epístola, ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus (Tg 4.4). Então, vivendo como Deus quer, o mundo se torna nosso inimigo e aí nadamos contra a corrente.
 

Por isso, precisamos sempre pedir a Deus o que ouvimos no culto passado: Senhor, ajude-me a ter mais fé! Precisamos cada dia que Deus nos fortaleça a fé e nos guie no seu caminho com seu Espírito Santo.
 

Meus irmãos, como disse um pastor, “no mundo sempre haverá disputas, mas que entre nós haja serviço. Que sejamos unidos no trabalho para que o Reino de Deus cresça. Que sejamos humildes servos uns dos outros. Que tenhamos a clareza de que dependemos de Deus. Que reconheçamos continuamente que se há alguém MAIOR entre nós, este alguém é CRISTO!” (Pr. Nelson Altevogt – IECLB).
 

Cristo, o maior, tornou-se o menor e o mais desprezado entre os homens, deixando a glória celeste para nos servir com sua morte e ressurreição. Por causa dele podemos pedir perdão ao Pai por todas as vezes que falhamos em servir ao próximo e uns aos outros, e podemos pedir que o seu Espírito nos guie e nos dê forças para que a luz de Cristo, o servo Salvador, brilhe através de nós quando servimos aos outros com seu amor, e assim, como diz Tiago, plantamos sementes da paz de Deus nos corações.
 

Servindo a Deus e ao próximo em humildade, confiando e dependendo totalmente de nosso Pai celeste, acontecerá um dia o que Tiago nos diz: Humilhem-se diante do Senhor, e ele os colocará numa posição de honra (Tg 4.10).
 

Que Jesus, nosso amado Salvador, que nos serviu para termos perdão, vida e salvação, nos faça viver e servir assim! Amém.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Senhor, ajude-me a ter mais fé!


 
Leia em sua Bíblia Marcos 9.14-29
 

Por que é que vocês são assim tão medrosos? Vocês ainda não tem fé? (Mc 4.40).

Não tenha medo; tenha fé! (Mc 5.36).

Minha filha, você sarou porque teve fé. (Mc 5.34)

E ficou admirado com a falta de fé que havia ali (Mc 6.6).

Eu afirmo a vocês que isto é verdade: nunca vi tanta fé, nem mesmo entre o povo de Israel! (Mt 8.10)

Eu tenho fé! Ajude-me a ter mais fé ainda! (Mc 9. 24)
 

Jesus usou muitas vezes a palavra fé. Os apóstolos, especialmente Paulo, também fizeram grande uso desta pequena palavra, tanto em situações positivas como negativas.
 

E o que é, biblicamente, fé? Segundo lemos em Hebreus 11.1, a fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver. E então o texto segue com vários exemplos de pessoas que tiveram fé, que sofreram e até morreram pela sua fé no Deus verdadeiro e que foram aprovadas por Ele por causa dessa fé.
 

Fé é crermos, acreditarmos, confiarmos no que não podemos ver, como é a fé em Jesus Cristo. Aliás, a fé começa em e com Jesus e é ele quem a mantém e aperfeiçoa em nós, como lemos também em Hebreus (12.2): Conservemos os nossos olhos fixos em Jesus, pois é por meio dele que a nossa fé começa, e é ele quem a aperfeiçoa.
 

E como esta fé, que vem de Jesus e é aperfeiçoada por ele, vem a nós? Ao contrário do que muitos pensam e dizem, não podemos chegar à fé ou crer em Jesus por vontade própria, por uma decisão ou esforço pessoal, pois, como diz Paulo em Efésios 2 (1,3), vocês estavam espiritualmente mortos. Assim, porque somos seres humanos como os outros, nós também estávamos destinados a sofrer o castigo de Deus. Nascemos mortos espiritualmente e inimigos de Deus – sem possibilidade alguma de sozinhos podermos crer.
 

Lutero afirma o mesmo, na explicação do terceiro artigo do Credo, dizendo que “por minha própria razão ou força não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir a ele”. Então, como recebemos esta fé?
 

A fé em Cristo nos é dada pela ação do Espírito Santo. Em Romanos 10.17, Paulo nos diz que a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem vem por meio da pregação a respeito de Cristo. Lutero coloca isso assim na explicação do Credo: “Mas o Espírito Santo me chamou pelo Evangelho, iluminou com seus dons, santificou e conservou na verdadeira fé.”
 

Para quem foi batizado ainda criança, a fé lhe foi dada no momento do seu batismo, quando nascemos de novo pela água e o Espírito, como Jesus nos diz em João 3.5. No batismo o Espírito Santo também nos coloca no coração a fé em Jesus, que vai sendo depois alimentada, fortalecida e sustentada pelo ouvir do Evangelho e, mais tarde, também pelo comer e beber o corpo e sangue de Cristo na Santa Ceia.
 

É por causa de Cristo que recebemos a salvação de Deus, e quem nos liga a Cristo é a fé que o seu Espírito nos dá. Em Romanos 3.28 e Efésios 2.8, Paulo afirma: Assim percebemos que a pessoa é aceita por Deus pela fé e não por fazer o que a lei manda. Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé.
 

Assim, crendo em Jesus Cristo como nosso único e verdadeiro salvador, somos salvos por Deus, recebemos seu perdão, vida e salvação eterna. Isto é ser salvo pela fé – não simplesmente fé em Deus, mas fé no seu Filho Jesus Cristo, que veio ao mundo para revelar a salvação do Pai.
 

Paulo resume isto assim: Deus nos salvou e nos chamou para sermos o seu povo. Não foi por causa do que temos feito, mas porque este era o seu plano e por causa da sua graça. Ele nos deu essa graça por meio de Cristo Jesus (2Tm 1.9).
 

Então, podemos resumir tudo assim:
 

- fé verdadeira é a confiança unicamente em Cristo e na sua obra de salvação por nós;

- esta fé não se baseia no que vê, mas no que espera pelas promessas de Deus;

- ela nos é dada pelo próprio Deus, através do Espírito Santo;

- ela é indispensável para recebermos a salvação e as bênçãos de Deus em Cristo, e sem ela não podemos agradar a Deus, como lemos em Hebreus 1.6.
 

Em nosso evangelho de hoje, o pai que pede a Jesus para curar seu filho, endemoniado desde criança, ouve Jesus lhe dizer: Tudo é possível para quem tem fé. E então responde a Jesus: Eu tenho fé! Ajude-me a ter mais fé ainda! Em outra ocasião, os discípulos de Jesus também lhe pediram: Aumente a nossa fé (Lc 17.5).
 

Este é pedido que todos nós também precisamos fazer hoje e cada dia de nossa vida, meus irmãos: Senhor, ajude-me a ter mais fé! Porque ouvir e falar sobre fé não é difícil, mas realmente ter fé e viver na fé dia após dia, não é coisa fácil.
 

É tão difícil que o apóstolo Tiago em sua carta nos diz que fé apenas da boca para fora é morta (Tg 2.26) e mostra que se alguém pensa que tem fé e é religioso, mas não sabe controlar sua língua, por exemplo, tem uma fé e religião que nada valem! (1.26) E no capítulo 3, (Tg 3.1-12), ele volta ao assunto, mostrando como nossa língua pode tanto mostrar nossa fé como nossa falta de fé.
 

Quando escuto aquele pai e os discípulos pedindo a Jesus para aumentar sua fé, eu me coloco no lugar deles, meus irmãos, pois diante de tantas promessas e bênçãos de Deus, vejo que confio muito pouco. Preciso todos os dias pedir: Senhor, ajude-me a ter mais fé!

 
         Vocês e eu precisamos sempre pedir de novo que Jesus nos ajude a ter mais fé, pois o pai da mentira, o diabo, não descansa e quer destruir nossa fé e tirar de nós o conforto, o consolo, o alívio e o descanso que só Jesus pode nos dar, por meio da fé.
 

Precisamos pedir: Senhor, ajude-me a ter mais fé! E então agir como o apóstolo nos diz em Hebreus 10.23-25: Guardemos firmemente a esperança da fé que professamos, pois podemos confiar que Deus cumprirá as suas promessas. Pensemos uns nos outros a fim de ajudarmos todos a terem mais amor e a fazerem o bem. Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir às nossas reuniões. Pelo contrário, animemos uns aos outros e ainda mais agora que vocês veem que o dia está chegando.
 

Que o Senhor nos ajude a ter mais fé, nos fazendo sempre ouvir, ler e estudar mais e mais sua Palavra e receber Cristo na Santa Ceia. Que fortalecidos na fé em Cristo, sejamos fortalecidos no amor uns aos outros e em nossa comunhão de perdão e ajuda um ao outro, e possamos então dizer com o apóstolo: Nós não somos gente que volta atrás e se perde. Pelo contrário, temos fé e somos salvos (Hb 10.39).
 

Orem comigo agora, irmãos e irmãs: Senhor, ajude-me a ter mais fé! Amém.