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Um grande abraço, no amor de Cristo!



Pastor Leandro.






terça-feira, 16 de julho de 2013

Quem é o bom samaritano?


Leia em sua Bíblia Lucas 10.25-37

      - Mas quem é o meu próximo?
        Foi esta pergunta de um mestre da Lei do Povo de Israel feita a Jesus, que fez surgir uma das parábolas mais conhecidas, o Bom Samaritano.
        Quem é o meu próximo? Se eu fizesse esta pergunta para Jesus, qual história ele contaria pra mim? Eu não arrisco responder, porque eu preciso reconhecer uma coisa: tenho grandes dificuldades para enxergar, no dia a dia, aquele que está ao meu lado, precisando de ajuda.
        Aliás, está cada vez mais difícil enxergar o próximo, de pessoalmente ajudar alguém, de entregar tempo, dinheiro, dons, para fazer alguma coisa em favor de alguém necessitado. Dou um exemplo bem simples: quem de nós estaria disposto a perder um domingo, e ficar no hospital de acompanhante, para uma pessoa desconhecida? Ficar lá como voluntário? O jeito mais simples seria pagar alguém, terceirizar, mas eu ficar lá, ainda mais num domingo, ou, no meu caso, numa segunda-feira?
        Será que a parábola de Jesus não seria uma história destas, o bom voluntário, acompanhante de hospital?
        Não podemos negar isto, a história do bom samaritano é muito bonita, mas é algo romântico, que está lá na Bíblia, longe da nossa realidade. Por isto, a melhor pergunta é: quem é o meu distante? Sim, porque daí eu posso dar uma oferta, dar uma ajuda solidária, fazer uma obra de caridade. É o máximo que eu posso fazer...
        Por aí a gente percebe que esta história do bom samaritano nem é tão conhecida assim, aliás, é bem desconhecida, ou é mal conhecida. Mal conhecida no que se refere a mente de Cristo, o amor verdadeiro, tão distante de nossa realidade egoísta, exclusivista, confortável, sossegada...
        Em todo o caso, quando ouvimos esta parábola, já de início, só no título, começamos a bocejar, atraídos pelo pensamento: - "Nossa, como a Bíblia se repete, já ouvi esta história tantas vezes".
        Eu confesso, meus irmãos, que quando me deparei que este era o Evangelho, logo fui para as outras leituras do dia, para achar um texto mais interessante.   Mas, quando percebi que não poderia fugir da parábola, e ao começar a meditar no texto, fui descobrindo a Boa Notícia, o Evangelho, e não a Lei. E daí a minha reflexão começou a ficar interessante, e comecei a me entusiasmar na elaboração do sermão.
        Aliás, esta é a solução para podermos enxergar o próximo: os óculos do Evangelho. Não as lentes desfocadas da Lei. Era isto que precisava aquele advogado da Lei, que fez uma pergunta errada para Jesus, e por isto, recebeu uma resposta na mesma medida - uma resposta na compreensão fria e calculista da Lei:
        - Mestre, o que devo fazer para conseguir a vida eterna?
        Ora, esta pergunta mostra o grau de entendimento deste homem entendido na Lei, mas ignorante no Evangelho. Ninguém pode fazer alguma coisa para conseguir a vida eterna. Por isto a resposta de Jesus.
        - O que as Escrituras Sagradas dizem a respeito disso? E como é que você entende o que elas dizem?
        Como você entende?
        Ele entendia o caminho das obras. E por isto a resposta que ele sabia de cor, tirada da Bíblia mas sem a compreensão da Bíblia. Ou seja, amar a Deus acima de todas as coisas e amar o próximo com a si mesmo.
        E ele estava certo. Mas, certo do ponto de vista da lei. Era só ele cumprir, e então receberia a vida eterna. No entanto, com um detalhe: ele deveria cumprir mesmo, 100%, completamente, perfeitamente...
        Por isto as palavras de Jesus:
        - A resposta está certa... Faça isto e você viverá...
        Vejam, a salvação é por obras. É só fazer...
        Se você quiser seguir por este caminho, vai em frente, cumpra completamente, sem qualquer deslize, todos os dez mandamentos que se resumem no amor, e então você tem garantido o céu.
        Mas aí vem o teu e o meu problema, aliás, o maior problema do mundo, e que ninguém a não ser Cristo pode resolver. Porque bem sabemos, não conseguimos amar a Deus acima de todas as coisas, não conseguimos amar o próximo com amamos a nós mesmos.
        Por isto então a parábola do Bom Samaritano, algo parecido com a parábola do buraco na agulha onde deveria passar o camelo. Aliás, na parábola do buraco da agulha e o camelo, foi um jovem rico e religioso que fez a mesma pergunta: o que devo fazer para entrar no reino dos céus. E Jesus fez a mesma coisa, com fez com este mestre da Lei.
        O jovem rico pensava que podia cumprir toda a lei, e Jesus então diz para ele: que legal, então você é um cara perfeito. Vai então, vende tudo o que tem, dá aos pobres e me segue. Nós conhecemos o final da história, aquele jovem foi embora muito triste. Na verdade, ele nem conseguia cumprir o primeiro mandamento, porque o deus dele era o dinheiro.
        Para este mestre da lei, o problema era a segunda tábua dos mandamentos, o amor ao próximo. O deus dele era ele mesmo, o seu egoísmo, sua falta de amor ao semelhante.

        Esta falta de amor era o problema daquele sacerdote e daquele levita, que na parábola passaram no outro lado da estrada, isto é, bem longe do coitado do homem que foi assaltado, surrado, machucado, perdeu tudo o que levava, inclusive suas roupas. Estava deitado no chão, todo ensanguentado, parecia que estava morto.
        Imaginem isto acontecendo hoje, você voltando para casa, de carro, de noite, numa estrada deserta, e encontra no acostamento uma pessoa atropelada. É claro, hoje temos o celular, é só chamar a polícia, a ambulância. Mas vamos supor que não tem celular, nem policia, nem ambulância... Pois é, aí começam as nossas desculpas e que nem precisamos enumerar.

        Pois é bom saber algum detalhes nesta parábola de Jesus. A primeira coisa é que tanto o sacerdote como o levita, os dois que não pararam para ajudar, eram pessoas religiosas. O sacerdote já diz, ele era um pastor, um homem que faz o culto. Levita é uma atribuição de alguém que pertence a tribo de Levi do povo de Israel, e a função dos levitas era cuidar do templo. Ele era quase um sacerdote, um líder da igreja.
        Havia uma lei israeltia para os religiosos, que eles não podiam se aproximar nem tocar em pessoas mortas. Isto está no livro de Levíticos, capítulo 21. Era uma regra religiosa de saúde pública, para evitar contaminação, pois naquele tempo a religião dos israelitas também tinha responsabilidades quanto a saúde pública.
        Isto deve ter impedido de o sacerdote e do levita se aproximarem daquele homem, que parecia estar morto. Eles, portanto, estavam cumprindo uma regra religiosa.
        Mas então, porque Jesus usa estes dois personagens? Será que ele está querendo dizer alguma coisa contra a religião dos israelitas? Mas era uma regra bíblica? Jesus então estava condenando a própria Bíblia? Na verdade, Jesus não estava condenando a Bíblia, mas uma interpretação da Bíblia.
        Há muito tempo os judeus tinham transformado a sua religião em puro ritualismo, em cerimônias, em regras... Lhes faltava o coração, a humanidade, o amor...
        Algo parecido com o que fez um professor de Teologia, na disciplina de homilética (preparar o sermão). Os seus alunos deveriam preparar um sermão sobre a Parábola do Bom Samaritano. Depois do sermão ficar pronto, cada um deveria pregar o sermão na capela do Seminário. Cada um tinha um horário diferente, e não deveria em hipótese alguma, se atrasar em seu horário. No caminho entre o dormitório e a capela, de propósito, o professor combinou para que uma pessoa ficasse deitada no chão, na calçada, com se estivesse passando mal. De todos os teologandos que passaram pela pessoa, só um parou para ajudar. Ele chegou atrasado, mas fez sua obra de caridade. Depois da experiência, o professor foi enfático para os seus alunos: "só um de vocês fez um bom sermão".
        Na verdade, foi isto que Jesus queria dizer com a Parábola do Bom Samaritano: - Você, que é mestre na Lei de Deus, deixa de lado as regras, e comece a colocar em prática o verdadeiro propósito das regras.
        As leis existem só por uma finalidade - ajudar as pessoas. Este é o propósito de qualquer regra - manter a integridade, a vida do ser humano. Mesmo quando a lei condena, coloca alguém na cadeia, castiga, ela faz isto para o bem da coletividade, e até para regenerar o próprio infrator.
        Voltando à parábola, o nosso foco agora é o samaritano. Quem eram os samaritanos? Eram inimigos dos judeus, diríamos hoje, um muçulmano, um árabe. O judeus naquele tempo tinham um desprezo, um preconceito muito grande contra os samaritanos. Pois vejam agora a situação: Aquele homem que tinha sido assaltado era, provavelmente um judeu... Um samaritano ajudando um judeu. Mas isto não é tudo...
        Ouçamos novamente a história, rica em detalhes:  "Mas um samaritano que estava viajando por aquele caminho chegou ali. Quando viu o homem, ficou com muita pena dele. Então chegou perto dele, limpou os seu ferimentos com azeite e vinho e em seguida os enfaixou. Depois disso, o samaritano colocou-o no seu próprio animal e o levou a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, entregou duas moedas de prata ao dono da pensão, dizendo: toma conta dele. Quando eu passar por aqui na volta, pagarei o que você gastar a mais com ele".
        Vocês estão percebendo tudo o que fez o samaritano? Todos os detalhes, o cuidado, o tempo que gastou, o dinheiro que entregou. Além disto, passou a noite cuidando dele, porque era uma pensão, naquele tempo não tinha hospital. E não foi só isto, na volta passaria para ver como ele estava, e pagaria por todas as despesas. Mas tudo isto ele fez porque ele ficou com muita pena dele, porque ele teve compaixão.
        Na verdade, percebemos que a atitude do samaritano é o camelo passar pelo buraco da agulha, é algo impossível. Ou vocês acham que somos capazes para amar deste jeito?  De ajudar um estranho na rua, levá-lo no hospital, ficar no quarto com ele, pagar as contas, e depois retornar e dar ainda mais dinheiro e ver se ele está bem? Nós até fazemos isto com um parente, um amigo. Agora, fazer isto com um estranho?
        Jesus contou esta história para mostrar como o nosso amor é limitado, é preconceituoso, é fraco. É uma história que coloca o nosso amor lá em baixo, num nível que não é amor.
        Seria um amor impossível, se aquele Bom Samaritano não fosse o próprio Cristo. E aí a Parábola se explica. O Bom Samaritano é Cristo, aquele que nos encontrou caídos no pecado, assaltados pelo Diabo. Estávamos sem nada, foram roubados da imagem divina, estávamos quase que mortos.
        Foi aí que apareceu Jesus, cuidou de nossas feridas, usou o vinho do seu próprio sangue na cruz, nos levou até a sua presença e nos vestiu com as qualidades dele mesmo. E ele pagou toda a conta, não devemos mais nada.
        Esta é a charada da parábola: Jesus é o Bom Samaritano.
       Por isto, a verdadeira pergunta não é: quem é o meu próximo?
        A verdadeira pergunta é: quem sou eu?
        Através da fé que tenho em Jesus, agora eu sou o Bom Samaritano. E se eu sou o bom samaritano, eu sou o Jesus para ajudar aquele que está ao meu lado. Eu sou o próximo. Amém.


Pastor Marcos Schmidt

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