BEM-VINDO AO NOSSO BLOG!


Com muita alegria apresentamos o blog da Paróquia Evangélica Luterana Renascer em Cristo , com sede em Rio Branco, AC.


Além da sede, que fica no bairro Estação Experimental, no caminho do aeroporto, temos também um ponto de pregação aqui na capital no bairro Areal.


No interior atendemos Brasiléia, na divisa com a Bolívia, a 230 Km de Rio Branco, e Redenção e Ramal do Bigode, município de Acrelândia, a 110 Km da capital. Outro ponto de pregação fica na estrada que vai a Porto Acre, a 35 Km daqui.


Queremos compartilhar com vocês mensagens, fotos, informações e notícias de nosso trabalho, com o grande objetivo de levar Cristo para todos, especialmente em nosso estado e região, com é o lema de nossa IELB - Igreja Evangélica Luterana do Brasil.


Um grande abraço, no amor de Cristo!



Pastor Leandro.






domingo, 18 de setembro de 2016


18º Domingo após Pentecostes
Lucas 16.1-15
Como o Cristão deve Haver-se nas coisas do Reino de Deus!

Suplicamos na 3ª petição do Pai nosso: “Venha o teu Reino”. Oramos confiando que o Reino de Deus cresça nesta mundo. O que é que cada membro da igreja deve fazer para que isto aconteça? Como o cristão deve haver-se nas coisas no Reino de Deus? Deve deixar que elas se expandam, como epidemia que vai se alastrando, ou deve ser fiel à ordem de Cristo e empenhar-se na pregação do Evangelho? A resposta só pode ser uma, obviamente: Deus colocou nas mãos do seu povo o privilégio de cuidar bem do Evangelho. A primeira coisa, neste sentido, é que os “filhos da luz...”
1 – Devem ser fieis na administração das suas riquezas. A – O mesmo Deus que nos deu o Evangelho é o doador de todas as riquezas que possuímos. Podemos dizer que ele é o homem rico da parábola, pois confiou muitos bens e talentos aos seus administradores, os cristãos. Veja também, por exemplo, Adão e Eva. Deus lhes deu a vida e tudo. Como coroa da criação, deveriam cuidar de todas as coisas criadas. Esta agradável responsabilidade era harmoniosa e perfeita até a entrada do pecado no mundo. Por causa do pecado, o ser humano se tornou falho na sua administração do mundo de Deus e das riquezas que lhe concedeu tão bondosamente. Por causa disso:
B – DEUS REQUER FIDELIDADE de cada um de seus filhos. O que significa esta fidelidade? Que mostremos que somos fieis a Deus quando, de modo pleno e integral, expressamos CULTO E ADORAÇÃO A DEUS COMO SEUS FILHOS, pois toda a nossa vida é culto e adoração. Significa que devemos usar responsavelmente as nossas riquezas para cuidar: 1) da vida/saúde; 2) do bem estar pessoal e da família; 3) da educação; 4) do vestuário; 5) do necessitado; 6) e por fim, mas não por último, a favor do Reino de Deus. Em todo esse emaranhado de atividades, Deus pede o primeiro lugar. Ele quer ser sempre o primeiro e o único em nossas vidas. E mais: ele sempre pede as primícias”.
Jesus disse: Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco, também é injusto no muito” (v. 10). Ora, você não pode ser fiel a Deus parcialmente, ou apenas uma parte de sua vida. Você é um cristão a toda hora. A cada instante você deve agir responsavelmente, seja para com a família, o trabalho, o lazer, e em tudo o mais.
Jesus também diz que você deve ser fiel na aplicação de parte das suas riquezas em favor do Reino de Deus. Estas riquezas (ofertas) que vão para a igreja são para a causa do Evangelho. Resumindo, a vontade de Deus é esta: que você seja fiel na administração de todas as suas riquezas – riquezas que ele tão bondosamente
concedeu a você, inclusive a riqueza do seu Evangelho. Nesta parte, ele pede que você também seja fiel nas ofertas.
C – ENCONTRAMOS, PORÉM, UMA SÉRIA DIFICULDADE EM NOSSAS VIDAS. Um problema que é apontado claramente por Lucas. Na verdade, são duas atitudes pecaminosas: 1º) A ATIVIDADE DO ADMINISTRADOR (V. 1). Ele foi denunciado como quem estava a desfrutar os bens do homem rico. Ele era um sujeito que estava roubando do seu patrão em suas transações comerciais; 2º) A ATITUDE DOS FARISEUS, que ridicularizaram a Jesus (vv. 14,15). Eles eram os ouvintes de fundo desta parábola. Lucas nos diz que eles “eram avarentos”.
Desonestidade e avareza: eis o quadro pecaminoso apresentado. Dois grandes problemas que atingem o cristão e que o impedem de ser fiel na sua administração. Muitas vezes somos tentados com avareza para darmos atenção a algumas necessidades da vida e deixar outras de lado. Não cuidamos em subdividir nossas tarefas e compromissos. Outras vezes, um filho de Deus gasta demais em tantos cuidados da vida que se esquece da sua contribuição para a igreja. Ele está sendo desonesto e avarento. Ele está sendo fiel no pouco. (É duro afirmar isto, mas é uma verdade latente no Evangelho).
Acreditamos que há exceções: Há casos de necessidade em que um irmão na fé precisa mesmo é da nossa ajuda, ao invés de lhe arrancarmos o pouco que tem. Porém, a coisa se torna séria mesmo quando há frieza e desinteresse em relação à igreja. Não interessam mais os cultos, a Santa Ceia, o estudo bíblico, as ofertas e, sabe lá, não há preocupação com as almas perdidas.
Esta atitude de desonestidade e avareza é reprovada por Jesus. É pecado! E, além do mais, impede o crescimento do Reino de Deus entre nós. Portanto, diz Cristo: “Quem vos dará o que é vosso?” Em outras palavras: se vocês são assim infiéis,, como é que podem esperar receber a salvação eterna?
Se a infidelidade no Reino de Deus é algo tão sério, que pode levar-nos à condenação, precisamos reconhecer o nosso pecado e nos arrepender. Precisamos mudar de atitude e nos apegar ao único que nos pode perdoar: Cristo! Ele sempre foi fiel no pouco e no muito. Por amor a nós, ele se dedicou fielmente à causa do Reino de Deus. Ele sempre teve um propósito: fazer a vontade do Pai. Ele foi obediente até a morte na cruz. Ele fez isso por você, porque lhe ama e quer a sua salvação. Ele empenhou-se ao máximo. Ele, na verdade, não quer as suas riquezas, mas a sua vida, o seu amor.
Jesus também quer salvar outras pessoas. Por isso ele quer a sua fidelidade! Você pode ser fiel porque Deus deu para você esta capacidade. Ele lhe deu tudo nesta vida, especialmente a salvação. Além da fidelidade, tem outra coisa que Jesus pede de nós aqui neste texto:
2. Que sejamos sábios e hábeis nas coisas do seu Reino.
A – SOMOS ESTIMULADOS A AGIR CONFORME O ADMINISTRADOR INFIEL. O quê? Como? Este conselho é surpreendente. Como entender?
Esta parábola apresenta uma dificuldade na sua interpretação. O problema está no elogio que é feito ao administrador (v. 8) que claramente foi um sujeito desonesto.
Note bem: não se está aprovando a atitude do administrador. Não se está aprovando a sua desonestidade, mas a sua habilidade (vv. 4-7). Jesus não está de acordo com seus atos desonestos, pois estes foram condenados no v. 1, onde lemos que “foi denunciado como quem estava a defraudar os bens do homem rico”.
Se nós nos perguntarmos qual é a principal lição desta parábola, a resposta é uma só: é a provisão, o preparo para o futuro. Não nos moldes do mundo, mas do Evangelho, porque, conforme o v. 13, “ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de aborrecer-se de um e amar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”. Neste sentido, Jesus pede fidelidade a Deus – em tudo!
Jesus conclui a parábola dizendo: “Porque os filhos do mundo são mais hábeis na sua própria geração do que os filhos da luz”. Somos concitados a imitar o mundo na prudência, sabedoria, empenho, entusiasmo, ardor, fervor! Numa proporção muito maior, os filhos da luz devem se aplicar nas coisas do Reino de Deus. Estamos sendo hábeis em relação a isso?
B – O MUNDO ASSUME A SUA CONDIÇÃO NAQUILO QUE FAZ. a) Olhamos para os fariseus e os vemos acirrados em relação à própria religiosidade (vv. 14,15). Infelizmente, rejeitaram o Messias numa proporção condenatória. Além do mais, o seu modo de agir era “abominação diante de Deus”.
b) Olhamos para “os filhos do mundo” - para o modo como trabalham e vendem seus produtos: filmes, novelas, revistas, pornografia, etc. E conquistam o seu público, que gasta fortunas consumindo estes produtos.
c) Por outro lado, olhamos também para o trabalho dos cientistas e a sua dedicação às pesquisas tecnológicas. Vemos o seu empenho para descobrir novos caminhos que conduzam a um maior avanço científico para o bem da humanidade.
Admiramos estas pessoas e deveríamos imitá-las, não no que está errado em relação a elas, mas a sua sabedoria e habilidade, o seu empenho.
C – Você é um cristão. Um FILHO DA LUZ! Assuma quem você é! FAÇA PROVISÃO PARA O FUTURO, PARA A ETERNIDADE! A recomendação de Jesus é esta: “Das riquezas de origem iníqua fazei amigos, para que quando estas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos” (v. 9). Embora este versículo não seja o ponto climático da parábola, é aqui que encontramos a chave para a sua compreensão. É no sentido deste versículo que o cristão deve SER FIEL e 
usar toda a sua sabedoria.
Riquezas de origem iníqua”. O que vem a ser isso? São todas as riquezas deste mundo. Cada coisa deste mundo está manchada pelo pecado. Nesse sentido, todas as riquezas deste mundo são de origem iníqua. Assim, a instrução de Jesus é no sentido de usarmos sabiamente as nossas riquezas (inclusive: bens, dons, talentos, habilidades). E como? Fazendo amigos para o Reino de Deus. Quer dizer que nós, os cristãos, segundo Jesus, devemos usar as nossas riquezas em favor da causa do Evangelho de uma forma tão sábia e fervorosa quanto os filhos do mundo as usam para seus propósitos materiais.
Nossa verdadeira riqueza está no céu. Nosso propósito aqui na terra é de trabalhar em favor da pregação do Evangelho e assim fazermos amigos”. Então, diz Jesus, quando o dinheiro (riquezas) nos faltar, quer dizer, quando morrermos e o dinheiro não adiantar para mais nada, então os amigos que ganhamos para Deus nos darão boas-vindas no céu. O próprio Deus nos receberá com muita alegria. Haverá provisão maior e mais sublime que esta?
D – De que maneira você está aplicando as suas riquezas e os talentos que Deus lhe deu? Precisamos nos dedicar às coisas relacionadas ao seu Reino. Precisamos ser dedicados a ele. Somos filhos da luz, do grande Pai. E mais do que isso: ele nos deu o seu perdão e o seu amor. E ele nos capacita com muitas riquezas, materiais e espirituais, riquezas de origem iníqua e riquezas eternas em Jesus Cristo. Fomos todos chamados para servir. Não importa se você sabe muito ou pouco, se tem muito ou pouco; não importa a sua cultura: você deve servir. Todos nós temos uma tarefa designada por Deus! Seja ela qual for, devemos nos dedicar a ela com afinco.
Deus, o doador de todas as riquezas, que que sejamos fieis na administração de todas as coisas que ele nos deu neste mundo. “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará” (Jó 6.21). Da mesma forma, como os filhos do mundo são habilidosos no seu trabalho, muitas vezes pecaminosos, sejamos ainda mais acirrados e fervorosos na causa do Evangelho. Sabemos que, por fim, Deus nos dará o que é nosso. Ele nos receberá com alegria nos tabernáculos eternos. Amém!
(Portas Abertas 18 e Preciso Falar 25, pp. 182-185)

quinta-feira, 21 de julho de 2016


10º Domingo após Pentecostes
Lucas 11.1-13
Oração – uma expressão de fé!

Introdução. É muito interessante notar como muitos membros de nossas igrejas tem pouca noção de como orar. Tecnicamente sabem o que é orar, mas a prática deixa-se muito a desejar. Por outro lado, não é uma grande surpresa, pois os próprios discípulos de Jesus não tinham ideia de como colocar em prática o conceito da comunicação com Deus.
A verdade é que existem muitas maneiras de orar, e a oração que Jesus ensina aos discípulos é um modelo, um exemplo do relacionamento existente entre o ser humano e seu Criador. Outra coisa importante que se deve notar é que muitas vezes chamamos o Pai Nosso de “oração do Senhor”, quando ela deveria ser chamada de “oração dos discípulos”. (A oração do Senhor Jesus está registrada no Evangelho de João, no capítulo 17).
Também é importante ressaltar que a verdadeira oração é sempre uma expressão de fé e confiança naquele que nos ama e deu Jesus como Salvador. Na carta aos Hebreus nos é dito que nós podemos chegar ao “trono da graça de Deus” exatamente porque Jesus nos abriu as portas. Escute este texto: “Por isso tenhamos confiança e cheguemos perto do trono divino, onde está a graça de Deus. Ali receberemos misericórdia e encontraremos graça sempre que precisarmos de ajuda” (Hb 4.16).
Como Orar. Existem muitas formas de orar. Algumas pessoas oram em forma de diálogo com Deus. Podemos fazer isto? Com certeza, pois Deus nos dá a liberdade de chamá-lo de Pai. Mesmo que não seja um texto bíblico, o conhecido hino “Em Jesus Amigo Temos” nos diz que podemos chegar a Jesus em oração da mesma maneira como falamos com um “velho e bom amigo”, com quem conversamos em todas as oportunidades que temos, várias vezes por dia, como conversamos com alguém via celular ou enviando uma mensagem de texto. Fazemos isto quando acontece algo de bom, quando estamos enfrentando dificuldades ou quando alguém outro está passando por estas situações.
Outras pessoas preferem orar de maneira formal, ou seja, usando orações estruturadas e previamente escritas – como as orações da manhã e da noite escritas por Martinho Lutero.
Já outros preferem usar uma sequência, começando com Adoração, Confissão de pecados, Ação de Graças e concluindo com uma súplica em favor de outros e de si próprio. Este método nos ajuda a lembrar sobre diversos tópicos em uma oração. Também podemos orar usando cânticos e salmos.
 
Apesar de toda liberdade que temos em termos de oração, os discípulos pedem ajuda a Jesus. Ele recita para eles o Pai Nosso que todos conhecemos e que é um maravilhoso esboço de como orar. Começamos a oração que Jesus ensinou honrando a Deus e depois pedimos aquelas coisas de que precisamos, como pão, perdão e libertação do mal.
Mas a intenção de Jesus não é de que usemos somente esta oração, apesar de ser um excelente lugar para começar. Podemos usar diferentes métodos para nos comunicarmos com Deus, mas o mais importante é a nossa atitude.
Um menino de 11 anos encontrou um maço de cigarros e decidiu experimentá-los. Ele foi ao campo do lado da sua casa e depois de várias tentativas ele conseguiu acender um cigarro. Ele se engasgou com a fumaça e ficou com um gosto horrível em sua boca. Foi neste momento que ele viu o seu pai vindo em sua direção. O menino tentou esconder o cigarro e desviar a atenção apontando para uma placa de publicidade que anunciava a chegada de um circo. O menino disse: “Pai, podemos ir ao circo hoje à noite? Por favor, podemos?” O pai respondeu com voz firme: “Filho, nunca faça um pedido quando você estiver escondendo uma flagrante desobediência”.
Com que atitude você ora? Temos dúvidas? Somos vagos em nossas orações? Ou oramos de maneira agressiva, tentando determinar a Deus o que ele deve fazer? Ou será que existe um meio termo entre estes dois extremos?
Por um lado, não podemos ficar com medo de pedir a Deus aquilo que precisamos, afinal, Jesus nos deu a liberdade de chamar a Deus de Pai. Se as nossas orações não são feitas com confiança e convicção, sem pedidos concretos, estaremos apenas dizendo palavras sem muito sentido, mesmo que elas contenham muito louvor e gratidão.
Claro que podemos dizer a Deus: Deus, tu sabes o que é bom para mim. Por esta razão quero deixar a decisão para ti”. Porém, eu creio que é muito melhor que façamos pedidos específicos. Por exemplo, quando estou com muito fome eu peço para que a minha esposa prepare uma refeição. Eu não digo: “Hummm, eu preciso algo, mas tu sabes o que preciso; então deixo em tuas mãos decidir o que vais me dar”. Em vez disto, falo para ela com convicção: “Estou com fome. Podes preparar uma janta para nós? Ah, eu gosto muito de feijão, arroz, carne com molho e uma saladinha”. Eu creio que Deus deseja que sejamos gentis, amorosos, mas ele também quer que falemos claramente o que precisamos, pois isto demonstra fé! Tiago diz: “Porém peçam com fé e não duvidem de modo nenhum, pois quem duvida é como as ondas do mar, que o vento leva de um lado para o outro. Quem é assim não pense que vai receber alguma coisa do Senhor, pois não tem firmeza e nunca sabe o que deve fazer” (1.16-18).
 
E quando há problemas… Deus sempre deseja o melhor para nós. Mas como este mundo deixou de ser perfeito, problemas acontecem, e eles não parecem e realmente não são positivos para a nossa vida. Todavia, nós podemos ter a certeza de que Deus, em sua graça, pode transformar estas circunstâncias negativas em algo positivo. O apóstolo Paulo afirma isto em Romanos 8.28. Por esta razão é que podemos orar e agradecer a Deus, mesmo pelas dificuldades, porque ele as torna em bênçãos.
Claro, quando alguém que você ama tem câncer, ou quando você perde o seu emprego, ou quando há guerra, e quando violência e corrupção predominam, é difícil entender os motivos. É nestas situações que precisamos buscar a Deus em oração e pedir que ele interfira e modifique estas circunstâncias.
Jesus disse aos seus discípulos que, se tivessem fé suficiente quando orassem, poderiam ordenar que uma montanha se atirasse ao mar e isto iria acontecer. Peçam e vocês receberão; procurem e vocês acharão; batam, e a porta será aberta para vocês”. Foi isto que Jesus disse!
Também é bom lembrar que precisamos deixar tudo, absolutamente tudo, nas mãos poderosas e amorosas de Deus. E isto é outra demonstração de fé! Mesmo quando a situação é muito dolorosa, extremamente complicada, deixe Deus ser Deus. Mas um aviso: isto não é nada fácil. Deus decide o que vai fazer, mesmo quando nossos planos são diferentes dos dele.
Nós não podemos dizer a Deus como e quando ele deve fazer as coisas acontecerem. Todos nós fazemos isto por vezes. Confesso que tenho esta tendência, mas preciso lembrar de que Deus não é meu empregado, mas que é Senhor! Ele não está aí para satisfazer os meus desejos e acatar as minhas “ordens”. Ele atende as orações, mas sempre de acordo com o que de fato é melhor para nós, não necessariamente de acordo com o que nós pensamos ser o melhor.
Seguindo o exemplo de Abraão. Vamos visitar por alguns momentos o texto do AT. Aqui encontramos Abraão. Ele nos ensina uma lição sobre a oração: sermos persistentes com Deus. Parece que Abraão faz o papel de advogado de defesa ao apresentar o seu caso diante de Deus, o Juiz. Como Advogado, ele não abandona os seus “clientes”. Ele argumenta, fazendo todo o possível para que Deus mude o seu julgamento e não destrua as cidades de Sodoma e Gomorra.
A história é conhecida. Deus toma conhecimento da imoralidade das duas cidades e vai verificar a situação e chega à conclusão de que a destruição é iminente. Ele tem este direito, mas Abraão mantém a sua posição: Será que vais destruir os bons junto com os maus?” Ele pede que Deus imagine que existem 50 pessoas justas em Sodoma e Gomorra (o que não é um grande número de pessoas). Ele diz: “Não é possível que mates os bons junto com os maus, como se todos tivessem
cometido os mesmos pecados”.
Abraão sabiamente coloca a justiça de Deis diante da misericórdia de Deus. Basicamente o que ele diz é isto: um Deus de amor jamais faria isto!” E assim ele insiste. Então ele pergunta a Deus se destruiria a cidade mesmo que existam nela apenas 10 justos.
A persistência de Abraão é um exemplo da parábola da viúva e do juiz que Jesus contou em Lc 18. A viúva persistente ganhou a sua causa naquela parábola. Jesus ensina os discípulos a orar sempre e nunca desanimar.
Qual pé a lição aqui? Deus está disposto a ouvir e a considerar cuidadosamente os nossos pedidos em qualquer situação, mas se pedirmos o que é correto, pois ele próprio diz nas Escrituras que não deseja que ninguém se perca. Mas lembre-se de que Abraão fez estes pedidos, estas orações, com toda a humildade, dizendo: sou um simples mortal. É assim que precisamos orar: com humildade, simplicidade, como um filho conversando com um pai amoroso.
Além disso, podemos (e devemos) interceder pelo nosso país e pelo mundo, que estão se perdendo em imoralidade. Também devemos orar por aqueles que estão passando por dificuldades, fome, perseguição, câncer; e por aqueles que estão longe de Jesus para que ele tenha compaixão deles.
Conclusão. Quero encorajar a todos os irmãos e irmãs a chegar diante de Deus com reverência, humildade, mas acima de tudo, com fé, sabendo que ele tudo pode e que deseja p bem de todos, especialmente dos seus filhos, por meio de Jesus Cristo.
O mundo precisa das nossas orações, que são expressões de nossa fé, do nosso relacionamento com Deus. As nossas cidades, as nossas igrejas, as nossas famílias precisam das nossas orações para que pessoas sejam perdoadas e salvas, para que guerras sejam evitadas e fomes saciadas. Tiago diz: “A oração de uma pessoa obediente a Deus tem muito poder” (5.16).
Eu quero ser fiel nas minhas orações. Eu desejo que as orações de todos os filhos de Deus sejam continuas, pois assim talvez o mundo comece a se tornar mais como Deus quer que ele seja. Isto é exatamente o que Jesus disse quando ensinou os seus discípulos a orar: “Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu Reino; dá-nos cada dia nosso pão cotidiano; perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a qualquer que nos deve; e não nos conduzas em tentação, mas livra-nos do mal”.
E então, a sua fé está se manifestando em forma de orações? Deus é o nosso Abba” (forma carinhosa de Pai em aramaico) e a nossa fé nos leva até ele, pois prometeu que iria ouvir os nossos pedidos porque somos os seus filhos. Este “Abba” ama muitos os seus filhos, mas muito mesmo. Amém!
 
(PA e PF, pp. 149-153)

quarta-feira, 13 de julho de 2016


9º Domingo após Pentecostes
Lucas 10.38-42
Ouvir a Palavra de Jesus e Entender Corretamente a Lei!

À primeira vista, o texto simplesmente apresenta duas mulheres. Uma estava sempre ocupada e era incansável no trabalho doméstico. Tudo precisava estar limpo, arrumado para receber o visitante. A outra mulher era um tanto despreocupada. Sua atenção estava totalmente voltada ao visitante; afinal, a limpeza e a arrumação poderiam ficar para outro momento.
Qual das duas mulheres se parece com você?
Por um breve momento Jesus deixa os seus discípulos continuando a viagem para Jerusalém. Cerca de três Km antes da cidade, ele entra em uma vila, Betânia, e conhece a família de Lázaro, Maria e Marta. O evangelista Lucas não apresenta Lázaro; apenas foca, neste primeiro contato entre Jesus e a família, um fato doméstico bem peculiar.
Em uma casa com mais de uma mulher (como mãe e filha, por exemplo) é comum que uma delas faça as honras da casa e a outra prepare um lanchinho para a visita.
A hospitalidade é uma característica cristã e é recomendada pela Bíblia. Ela era tida como um dever sagrado. Entre os cristãos chegou a ser um importante vínculo, tanto pela proteção que se oferecia ao visitante, como pelas oportunidades de estímulo mútuo e companheirismo. Por isso, as Escrituras dão muito destaque a ela. Ouvimos recomendações como estas: Não negligencieis a hospitalidade, pois, alguns, praticando-as, sem saber acolheram anjos (Hb 13.2)”, “Compartilhai as necessidades dos santos; praticai a hospitalidade (Rm 12.13)”, “Sede, mutuamente, hospitaleiros, sem murmuração (1Pe 4.9)”.
Sendo assim, é fácil compreender a reação de Marta. Pra ela era incompreensível ver Jesus observando Maria aos seus pés, ouvindo seus ensinos, enquanto que trabalhava sozinha. Talvez Marta estivesse pensando consigo: Que Jesus é esse? Sabe que a hospitalidade é um dever sagrado e não diz nada pra minha irmã vir me ajudar”.
Assim, indignada com a postura de Jesus e da irmã, que estava se aproveitando da situação de um visitando não lhe repreender quanto à falta de hospitalidade, resolve externar sua indignação: “Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me (Lc 10.40)”.
Jesus não reprova a atitude hospitaleira de Marta. Na verdade, ele, Jesus, reprova a sua inquietação. Por mais que Marta estivesse se esforçando em receber bem a Jesus, ela estava “chateada”, pois Maria ouvia Jesus e ela, agitada, preparava tudo com muito carinho.
Diante da indignação de Marta, Jesus, repetindo seu nome por duas vezes, mostrou o quanto a amava. No entanto, ela havia se deixado levar pela agitação do seu dia. Ao dizer “Marta! Marta!”, Jesus desejava tocar seu coração para aquilo que de fato era importante e necessário naquele momento. Assim, Jesus censura a Marta por causa de sua mente dividida, ou seja, ela não sabia o que fazer. Não sabia se deveria se preocupar com os seus afazeres ou se deveria ouvir as palavras que Jesus estava transmitindo a Maria. Claro que a censura de Jesus é suave, pois amava Marta e queria sua salvação. O problema é que Marta estava inquieta, chateada.
Jesus diz para Marta que o amor dela, por mais que seja demonstrado e valorizado pela hospitalidade, ainda lhe falta algo.
Mas, o que falta para Marta? Bem, Jesus não dá a resposta. No entanto, a julgar pelo texto, pode-se concluir que Maria optou em não se deixar distrair com nada. Ocupou-se apenas com uma coisa. Já Marta queria fazer tudo ao mesmo tempo. Maria, aos pés de Jesus, ocupava-se de apenas uma: das palavras de Jesus.
Maria estava tão convicta da melhor parte que nem o fato de sua irmã tê-la repreendido, falando com Jesus sobre a situação, a fez desistir de ouvir as suas palavras. Nelas ela encontrou paz e descanso, e justamente essa paz e esse descanso não lhe seriam tirados (Lc 10.42).
Este foi o convite de Jesus: Marta! Marta! Escolha descansar a sua alma e o seu coração. Não fique ocupada e distraída com coisas que também são importantes, mas que apenas lhe afligem. Ocupe-se com aquilo que de fato vai lhe tranquilizar: a minha palavra.
Após o convite de Jesus a Marta houve outros episódios entre eles, Maria, Marta e Lázaro. Segundo o apóstolo João em seu Evangelho, Lázaro foi ressuscitado pouco antes de Jesus ser crucificado em Jerusalém. No relato de Lucas vemos Marta recebendo um valioso convite. Segundo o relato do Evangelho de João, Marta parece confiante e tranquila, tanto que confessa: “Eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo (Jo 11.27)”.
O convite amoroso de Jesus continua sendo feito: Fulano! Andas inquieto e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa: a minha Palavra. Amém!
(Portas Abertas 18 e Preciso Falar 25, pp.146-148)

terça-feira, 12 de julho de 2016


8º Domingo após Pentecostes
Lucas 10.25-37
Jesus, o Bom Samaritano!

O texto do Evangelho traz um diálogo entre um Mestre da Lei e Jesus. Neste diálogo podemos notar o quanto o ser humano é mesquinho, soberbo e ignorante sobre a questão da salvação.
Relembremos o diálogo. O Mestre da Lei perguntou a Jesus: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Ao que Jesus respondeu com outra pergunta: Que está escrito na Lei? Como interpretas? O Mestre da Lei, conhecedor de toda ela, respondeu: amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Jesus, conhecedor do coração humano, respondeu: respondeste corretamente; faze isto e viverás. O Mestre da Lei, que havia sido atingido em seu egoísmo e orgulho, perguntou: quem é o meu próximo? Jesus respondeu contando a história do bom samaritano, o que fez o Mestre da Lei concluir que o próximo é todo aquele que necessita de ajuda.
Chama a atenção neste diálogo que o interprete da Lei conhece toda ela, mas não conhece a prática dela, tanto que pergunta: “Quem é o meu próximo?”
Esta pergunta, em minha opinião, traz à tona a soberba dele. Pois, ao responder que está escrito na Lei que se deve amar a Deus e ao próximo, sua pergunta parece revelar que ele sabia quem era Deus. No entanto, a sua pergunta poderia ser: “Quem é Deus?” ou “Como é Deus?”. Afinal, justamente por não conhecer a misericórdia e o amor de Deus ele e todos os intérpretes da Lei cometem o mesmo equívoco: querem obter a vida eterna por meio do cumprimento da Lei.
O diálogo entre o Mestre da Lei e Jesus é riquíssimo. Ele traz muitos ensinamentos e penso que apenas um sermão não consegue esgotar o assunto. Mas o pouco que conseguirmos aprender já será um enorme aprendizado.
Um dos objetivos de Lucas neste Evangelho era apresentar Jesus, sua vida, suas atividades, suas características pessoais em meio à multiplicidade de situações religiosas, políticas e sociais em que se desenvolve o drama humano.
Um dos maiores dramas humanos é justamente querer saber: o que fazer para herdar a vida eterna?
Para responder de maneira satisfatória, Jesus lança uma questão reflexiva: “O que está escrito na Lei? Como interpretas?”
Muitos sabem o que está escrito na Lei, mas a questão é: “Como interpretas?”
Segundo as mais variadas interpretações, viverá aquele que andar segundo a Lei. Na epístola de Paulo aos Gálatas é ensinado que todos quantos, pois, são das obras da Lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: maldito aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da Lei, para praticá-las. É evidente que, pela Lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé” (Gl 3.10-11).
Ninguém consegue cumprir a Lei. Tanto que, ao observar essa verdade, o intérprete que dialogou com Jesus, buscando se justificar, perguntou: “Quem é o meu próximo?”
Os samaritanos são uma mistura de povos da Assíria e de outras regiões com israelitas. Eles quiseram unir-se aos judeus quando estes voltaram do exílio babilônico, mas Zorobabel e Neemias não concordaram (Ed 4.2,3; Ne 2.19-20). Deste momento em diante a inimizade entre os dois povos se tornou evidente.
Quem são os samaritanos hoje? Infelizmente, reina entre as pessoas o racismo, e não apenas por causa da cor da pele, mas também por causa de questões sociais, políticas, eclesiásticas, etc. Os samaritanos, bem, estes são atuais e vivem ao nosso redor.
Jesus sentiu na própria pele a rejeição devido a esta diferença entre os judeus e os samaritanos. Ele havia sido rejeitado pelos samaritanos seis meses antes da sua crucificação (Lc 9.52-53).
Parafraseando um dito popular: rejeição gera rejeição!
Graças a Deus que esta verdade só vale para nós pecadores. Afinal, Jesus não rejeitou ninguém, mas morreu por todos.
A interpretação dos judeus de amar ao próximo se estendia apenas aos israelitas e estrangeiros estabelecidos em Israel. Assim, se vangloriavam que estavam cumprindo a Lei. E esta era a resposta que o Mestre da Lei queria obter de Jesus. O diálogo que ele propôs tinha como objetivo vangloriar-se. No final, tudo o que ele desejava era ser elogiado por Jesus como alguém que de fato conhecia e vivia de acordo com a Lei. Mas a sua interpretação estava equivocada e Jesus mostrou que é “maldito aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da Lei, para praticá-las”, como diz Gl 3.10.
O que fazer para herdar a vida eterna?” Esta é a pergunta de milhares de pessoas. E para elas Jesus responde com outra pergunta: “O que está escrito na Lei? Como interpretas?”
O Livro da Lei diz: “Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (Lv 19.2).
Primeiro, só pode ser santo quem conhece o santo Deus. Sem ser filho ou filha de Deus não há possibilidade de ser santo. As palavras da Lei são ditas aos filhos redimidos de Deus. Quem havia passado pela libertação da escravidão no Egito agora, como livre, viveria a sua liberdade em todos os lugares e em todas as situações e com qualquer pessoa.
A Lei não me salva, mas apenas me conduz a minha real situação: pecador perdido e condenado. Ms a boa notícia do Evangelho é que “Cristo nos resgatou da maldição da Lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar” (Gl 3.13).
Jesus é o Bom Samaritano que veio ao nosso encontro. Afinal, nem a Lei pronunciada pelo sacerdote e pelo levita foram capazes de levá-los a socorrer o necessitado.
Fomos socorridos por Deus em Jesus, pois “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Amém. (Preciso Falar e Portas Abertas, pp. 142-145)
 

quarta-feira, 29 de junho de 2016


7º Domingo após Pentecostes
Lucas 10.1-20
Tenha seu nome escrito no Livro da Vida!

Prezados irmãos na fé: o que se entende por felicidade? Conforme o dicionário: ventura; contentamento; bem estar; êxito, sucesso; ato ou efeito de se sentir feliz. De forma simples estas são expressões que tentam explicar o que é felicidade. Mas o que realmente ela é? De onde ela vem? As pessoas podem ser felizes de verdade? Estas são perguntas que não se calam em nosso cotidiano. E nós, cristãos, somos realmente felizes? Que Deus Triúno, Pai, Filho e Espírito Santo nos abençoe neste momento de reflexão, quando queremos falar da nossa felicidade, que não tem origem neste mundo, mas vem do poder de Cristo Jesus e da sua paterna misericórdia.
Amada igreja: estamos vivendo o 7º Domingo após Pentecostes. Se analisarmos bem os textos de hoje vamos encontrar algo em comum: a felicidade. Não estamos falando da felicidade deste mundo, mas daquela que nos é proporcionada pelo Senhor. Todos os textos deste fim de semana nos cativam. Queremos estudar de forma especial o Evangelho e ver o que nosso Senhor Jesus disse sobre a felicidade.
Amados irmãos, é interessante que as palavras de Jesus no início desse texto não são consoladoras. São até desanimadoras. Ao enviar os setenta discípulos, ele disse que o trabalho era grande, que a seara era enorme. Mas não disse que seria fácil. Ao contrário do que muitos pregam, dizendo que o verdadeiro cristão não enfrenta problemas, aqui vemos os problemas. O Mestre disse que estava enviando estes homens como cordeiros para o meio de lobos. E quanto a isso, nem precisamos explicar o que significa. Jesus está mostrando que a pregação do Evangelho acontece entre dificuldades. Ele quebra aquele mito de que “se você está sofrendo ou se a sua igreja não cresce, é porque ela não presta”. As dificuldades que estes homens enfrentariam seriam enormes. E a verdade é que Jesus nunca prometeu vida fácil, como muitos estão inventando por aí. Eis as palavras do Mestre: no mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33).
As dificuldades e tristezas quanto à pregação do Evangelho demonstradas neste texto ainda não terminaram. Jesus diz nos vv. 10 e 11 que muitas cidades e pessoas certamente não aceitariam a palavra da salvação. E o sinal que deveria ser feito em protesto a esta situação não era a discussão, mas o sacudir da poeira.
Certamente é triste a dificuldade que estes homens enfrentariam durante a pregação do Reino de Deus. E aí perguntamos: onde está a felicidade de um cristão? Jesus disse mais, não parou por aí com as suas exortações e demonstrações de tristeza. Ele ainda falou a respeito das cidades de Corazim e Betsaida, e mais uma vez ele demonstrou tristeza, e não felicidade. Então, onde está a felicidade?
Nem tudo está perdido. Nem todos deixaram de ouvir a Boa Nova. Aí está a felicidade! E nesta exortação Cristo afirmou que muitos receberiam a paz e a palavra e que deveriam ficar na casa que fossem aceitos. O apóstolo Paulo diz que fez de tudo para com todos para ver se de algum modo levasse alguns à salvação (1Co 9.22).
O Reino dos Céus é assim. Não é fácil, tem dificuldades, mas também tem alegrias. Os Evangelhos nos relatam que o próprio Jesus passou por isso várias vezes. Estes enviados por Cristo acharam alegria e voltaram jubilantes, apesar das dificuldades: “… regressaram os setenta, possuídos de alegria...” (v.17). Mas o que causou tamanha felicidade nestes enviados? A felicidade deles estava no fato de que até “os próprios demônios os submetiam pelo nome de Cristo”, como diz o v. 17.
Sim, esses homens passaram por vários sofrimentos e agora estavam cheios de felicidade. Mas cabe uma pergunta: ainda seria esta a verdadeira felicidade de um cristão? A princípio, sim! Ver o diabo se submetendo a nós pelo poder da Palavra; ver o maligno se humilhando diante de nós por causa do nome de Cristo – humanamente falando esta é a verdadeira felicidade! Tudo isso é bom e aceitável diante de Deus. Mas, de acordo com Jesus, temos uma felicidade superior a esta e que está no texto do Evangelho de hoje. Ela nos faz esquecer os sofrimentos e as tristezas que enfrentamos na pregação da Palavra. A felicidade é essa: ter o nome “arrolado nos céus” (v. 20). Em palavras simples, a nossa maior manifestação de felicidade é ter o nome escrito no Livro da Vida (Ap 3.5).
Que estas palavras estejam fixadas em nosso coração e lembremo-nos diariamente de que Cristo carregou sobre si os nossos pecados, as nossas dores, para que pudéssemos ter o nosso nome arrolado nos céus, no Livro da Vida. Este é um presente gratuito de Deus, a causa maior da nossa felicidade, mesmo em meio ao sofrimento e a tristeza. Cristo Jesus é a nossa felicidade. Amém.

(Portas Abertas 18 e Preciso Falar 25, pp. 139-141)

quinta-feira, 23 de junho de 2016


6º Domingo após Pentecostes
Lucas 9.51-62
Jesus Ama a quem o Rejeita!

O texto do Evangelho de hoje nos traz duas situações distintas. A primeira é que Jesus estava focado em sua ida para Jerusalém. Independentemente de ser esta (ou não) a ida para a ultima Páscoa, ela fazia parte de seu compromisso para a cruz.
Diane deste propósito, ele envia seus discípulos para prepararem a viagem. Aqui surge a velha problemática de relacionamento entre dois povos. Os judeus costumavam tratar os samaritanos com uma grande dose de arrogância e desprezo e por causa disto não havia nenhuma simpatia ou hospitalidade por parte destes últimos. Para eles, Jesus era mais um judeu que estava tentando pegar um atalho para Jerusalém.
Tiago e João ficaram chateados com esta ideia e demonstraram toda a raiva quando sugeriram que ela fosse destruída com fogo divino. Novamente temos os discípulos demonstrando o quão pouco haviam compreendido os ensinamentos de Jesus. E mais uma vez tiveram de ser repreendidos pelo Mestre.
Jesus estava focado em ir para Jerusalém para seu encontro com a cruz. Ele estava fazendo isso para que nenhum de nós tivesse que suportar o castigo de Deus.
Hoje, neste culto, nós nos declaramos pecadores indignos. Nós não merecemos as bênçãos com as quais Deus nos agracia diariamente. O que deveria vir sobre nós é tanto o castigo aqui na terra como a condenação ao inferno. Por causa dos nossos pecados, Deus tem o direito de derramar a sua ira sobre a humanidade. A aldeia samaritana merecia isso, assim como nós também.
Mas Jesus manteve o compromisso com a sua ida para a cruz. E teve misericórdia daquela aldeia, bem como também daqueles dois discípulos, assim como ele tem de nós. Ele sabia que a sua jornada para Jerusalém era a única alternativa para nós, seres humanos.
Além disto, ele também tinha um encontro marcado com um túmulo vazio; um encontro com a ressurreição de seu corpo em um corpo de vida imortal. Sua ressurreição seria mais um sinal de que ele é verdadeiramente o nosso Salvador.
Quando aquela aldeia se negou em receber a Jesus, ela tinha argumentos históricos e raciais para isto. Independente da aparente racionalidade desta argumentação, aquelas pessoas estavam erradas. Mas era a desculpa.
E nós? Qual é a nossa desculpa? É claro que o fato de estarmos aqui, na casa do Senhor, mostra que não fazemos parte do grupo que recusa o Salvador. Mas será que quando trocamos a oportunidade de estarmos mais vezes aqui pelo conforto do nosso lar, não é um tipo de rejeição? O mesmo questionamentos vale para a nossa participação em estudos bíblicos, reuniões de departamentos, ofertas e a nossa vida devocional. Atitudes como essas são perigosas para a nossa caminhada rumo à eternidade. Seguidores de Jesus tem de segui-lo totalmente.
A outra situação encontrada em nosso texto, afora dessa recusa da aldeia samaritana, é a de que algumas pessoas queriam seguir Jesus. Uma delas disse: “Eu seguirei o Senhor, mas primeiro deixe que eu vá me despedir de minha família” (v. 61), a resposta de Jesus foi: “Quem começa a arar a terra e olha para trás, não serve para o reino de Deus”.
Jesus nos mostra que há um custo em segui-lo. Às vezes esse custo é baixo, às vezes não. A nossa tendência é de subestimar o custo do discipulado e considerar que com nossa própria capacidade e força podemos ser fieis ao Senhor.
Lembre-se de Pedro. Ele afirmou que mesmo se todos abandonarmos a Jesus, ele jamais faria isso. Pouco tempo depois, em circunstâncias nada favoráveis, tudo mudou e ele negou o Mestre por três vezes.
Com este fato da vida de Pedro – e com as palavras de Jesus ao homem que queria primeiro se despedir de sua família – tenhamos em mente a seguinte constatação: não somos inteligentes o suficiente, nem fortes o suficiente, nem comprometidos o suficiente para seguirmos a Cristo.
Por isso Jesus não perdeu o foco da cruz. E agora ele envia o Espírito Santo para conceder perdão dos pecados, vida e salvação a todas as pessoas que se arrependem de seus pecados.
Deus diz em 2Co 6.26: “Este é o tempo em que Deus mostra a sua bondade. Hoje é o dia de ser salvo”. Por isso, não rejeite os presentes de Cristo. Não lute contra a obra do Espírito Santo. “Que a mensagem de Cristo, com toda a sua riqueza, viva no coração de vocês” (Cl 3.16). Amém.

Oração Geral


Eterno, imortal, Onipotente Deus, conduziste-nos até o início de uma nova semana. Reconhecemos, agradecidos, as inúmeras bênçãos que vieram de ti. Agradecemos-te pela roupa, comida, saúde, força, amigos e irmãos na fé, pela paz e proteção de cada dia e repouso e segurança durante a noite.


Também agradecemos pelas demais bênçãos, mas em especial pela graça de nos teres chamado para junto da família cristã. Obrigado pela nossa congregação, pelos pastores fieis, pela tua santa Palavra e pelos sacramentos.


Derrama tua bênção sobre nosso governo, para que seja conservada a paz entre nós e que a justiça seja aplicada retamente.


Amplia a tua Igreja e bondosamente mantém-nos firmes na tua Palavra salvadora. Envia fieis mensageiros do Evangelho a todos os lugares do mundo e dá-lhes ânimo e coragem, para que anunciem a todos os homens, mulheres e crianças o Evangelho da salvação.


Renova-nos interiormente dia após dia e faça com que teu poder se aperfeiçoe em nossa fraqueza. Santifica os nossos corações e mentes. Purifica o nosso amor e enche-nos com zelo pela tua Palavra.


Intercessões.



Preserva-nos da falta de fé e da falta de amor. Habilita-nos a combater o bom combate até o fim. Conforta-nos em todas as provações e firma a nossa fé até o dia em que nos chamares para a eternidade. Mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

quinta-feira, 16 de junho de 2016


5º Domingo após Pentecostes
Lucas 8.26-39
Quem É Jesus?

Vivemos em um mundo estranho. Sempre que surge a temática de demônios a nossa imaginação toma os mais diferentes rumos. Alguns acreditam e outros não.
Mas não podemos negar que Cristo manteve uma conversa com o demônio. E, estranhamente, ele parece mostrar certa “misericórdia” ao permitir que eles entrem na manada de porcos. Isto é estranho para nós. E os porcos acabam se atirando de um penhasco e morrem afogados. Nada é dito sobre o que aconteceu aos demônios.
Tão estranho quanto este fato é que o demônio confessa a verdadeira natureza de Cristo. Esperamos mentiras e difamações da parte dele e não uma confissão de quem é Jesus.
Estes estranhos acontecimentos mostram que não somos capazes de perceber ou compreender realidades tão diferentes. E também não nos cabe querer entender.
A Bíblia ensina que os demônios, antes de se rebelarem contra Deus, eram anjos. Eles foram criados em algum momento durante os seis dias da criação. Mas logo após um grupo se rebelou contra Deus. E imediatamente foram condenados ao inferno. A Bíblia se refere a eles com vários nomes: anjos caídos, espíritos malignos, espíritos imundos, e outros.
Sabemos que eles são inimigos de Deus, mas como ele é Todo Poderoso, sabe de todas as coisas e não está limitado ao tempo e espaço. Assim, fica impossível deles entrarem em confronto direto.
Por isso encontraram outra maneira de expressar seu ódio contra o Altíssimo. Nós, a raça humana, somos o campo de batalha da guerra contra Deus.
Lembremos o que Jesus diz a respeito de nossos adversários: “Quando o diabo mente apenas está fazendo o que é o seu costume, pois é mentiroso e é paio de todas as mentiras” Jo 8.44b.
Assim, não é de se estranhar que as tentações venham no formato de coisas que parecem fazer sentido, maneiras que aparentar ser a coisa certa a fazer, que tem certa beleza. Não nos esqueçamos do que Paulo escreveu em 2Co 11.14: “Pois até Satanás pode se disfarçar e ficar parecendo um anjo de luz”.
Nem sempre é fácil identificar demônios como em nosso texto. Às vezes, eles abitam em pessoas de olhar manso e respeitável e que parecem muito agradáveis. Seu objetivo é de nos fazer ficar confortáveis e até nos sentirmos justos, enquanto viajamos a caminho do inferno.
Nosso texto mostra que os demônios existem e não se importam nem um pouco se acreditamos ou não. Também não se importam se existem igrejas em cada esquina, desde que não falem sobre o pecado e sua punição ou de Jesus e sua Salvação. O que o diabo odeia é a mensagem que Jesus morreu na cruz para perdão de pecados e depois ressuscitou dos mortos, certificando a sua vitória sobre o pecado, a morte e o próprio diabo.
Não esqueça: há apenas uma pessoa que derrotou o diabo. É Jesus criso, crucificado para remissão de todos os pecados e que ressuscitou dentre os mortos. Ele é o único que suportou todas as tentações e não pecou.
Graças a Deus que Cristo enfrentou os perigos e conquistou os nossos inimigo. Agora nós desfrutamos da sua vitória sobre a forças demoníacas. Estamos recebendo na sua Palavra a mensagem da salvação e a vida eterna, e nos sacramentos a força contra os esquemas malignos.
Nesta batalha, a postura correta é ficarmos firmes na Palavra e na verdade de Cristo, resistindo ao pecado com a habilidade que o Espírito Santo nos dá.
Assim, a lição que aprendemos no Evangelho de hoje é de que Jesus tem poder para expor demônios e sabe lidar com eles. Ele derrotou o diabo de uma vez por todas na cruz. Confie nele. Ele é o único que pode proteger dos ataques do maligno. Ele é o único que pode dar a vida eterna. Amém.