BEM-VINDO AO NOSSO BLOG!


Com muita alegria apresentamos o blog da Paróquia Evangélica Luterana Renascer em Cristo , com sede em Rio Branco, AC.


Além da sede, que fica no bairro Estação Experimental, no caminho do aeroporto, temos também um ponto de pregação aqui na capital no bairro Areal.


No interior atendemos Brasiléia, na divisa com a Bolívia, a 230 Km de Rio Branco, e Redenção e Ramal do Bigode, município de Acrelândia, a 110 Km da capital. Outro ponto de pregação fica na estrada que vai a Porto Acre, a 35 Km daqui.


Queremos compartilhar com vocês mensagens, fotos, informações e notícias de nosso trabalho, com o grande objetivo de levar Cristo para todos, especialmente em nosso estado e região, com é o lema de nossa IELB - Igreja Evangélica Luterana do Brasil.


Um grande abraço, no amor de Cristo!



Pastor Leandro.






quinta-feira, 17 de novembro de 2016


Último Domingo Após Pentecostes
Colossenses 1.13-20
Transportados da Morte para a Vida!

Os meios de transporte estão ada vez mais eficientes e velozes. Por meio deles somos transportados de um lugar para outro com facilidade, agilidade e eficiência. Por meio deles podemos conhecer o mundo. É maravilhoso poder viajar pelos lugares e explorar suas riquezas culturais!
Muitas pessoas, quando realizam uma viagem, voltam deslumbradas com tudo de novo que viram. Por algum tempo ficam se lembrando de como era lindo aquele lugar que visitaram, e até podem se esquecer dos problemas que vivem, ou até mesmo de como é o lugar onde moram.
Paulo diz que “nossa pátria está no céu” (Fp 3.20). Somos salvos, temos a vida eterna, mas ainda estamos aqui. É como se estivéssemos em uma viagem. Nesta viagem, o encantamento pelas coisas dese mundo, conforme as palavras de Jesus no Evangelho da semana passada, pode nos fazer esquecer da nossa pátria celestial.
Levando essa realidade em consideração, estudemos as palavras de Paulo aos Colossenses, em especial o versículo 14. Este versículo anuncia que o “Filho do seu amor”, ou seja, o “amado”, é aquele no qual cada pecador tem a redenção, a remissão, o perdão dos pecados.
A palavra redenção é um termo fundamental na Bíblia. Ele compreende toda história da salvação, desde a remissão dos pecados até a ressurreição dos mortos.
Vivemos dias de analfabetismo funcional. Muitas pessoas sabem ler, mas ao conseguem fazer a devida interpretação de textos e operações matemáticas simples. Por isto, é importante e necessário entender o que é redenção.
A palavra vem do latim “redimere”, que é uma tradução do grego “Lutrosis” ou “apolutrosis”. Ele significa resgate, libertação através do pagamento de um resgate, soltura de quem está em escravidão ou prisão por dívida não paga.
O sentido teológico é bem mais amplo e profundo do que o sentido gramatical. No entanto, mesmo se ficássemos apenas com o conceito gramatical, a palavra já traz um enorme significado.
Os filhos da promessa, ou seja, os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó estiveram escravizados no Egito. Quando Deus, em sua graça e misericórdia, interveio, ele libertou o seu povo da escravidão. Por 40 anos caminhou com o povo livre pelo deserto. Mesmo caminhando pelo deserto, as pessoas sabiam que a sua terra era a nova terra, Canaã.
Como cristãos do século XXI, estamos livres, somos filhos de Deus. Fomos libertados do poder do diabo e da morte eterna e estamos caminhando pelo deserto. Mas não fomos resgatados para viver eternamente neste deserto, onde reinam as lágrimas, as injustiças, a violência. Fomos resgatados, comprados “com o santo e precioso sangue de Jesus”, para pertencemos a ele e vivermos com ele na nova terra, no novo céu. Paulo diz: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1.13-14).
Transportados – de um reino para outro reino. Esta palavra, ou como diz o termo grego, “transferidos”, resume muitíssimo bem o que é redenção. Fomos transferidos de um lugar para outro. A transferência foi extraordinária. Saímos das trevas para a luz, da morte para a vida, da perdição para a salvação.
A carta aos Colossenses é uma das mais breves do apóstolo Paulo. Ela tem como diferencial o fato de ter sido escrita para uma congregação que ele não fundou pessoalmente. A cidade de Colossos ficava a cerca de 160 km de Éfeso, e a congregação foi fundada pelo ministério de Epafras, no período em que Paulo esteve em Éfeso por três anos. A maioria dos cristãos daquela congregação era gentílica. Eles foram perdoados dos seus pecados e transferidos para o reino do Filho do seu amor”.
Os cristãos da cidade de Colossos, mesmo tendo sido redimidos, perdoados, transportados de uma situação para outra, estavam sendo ameaçados pela heresia colossense. Paulo soube disso quando, na prisão, recebeu a visita de Epafras (1.8).
Um grupo da congregação havia se desviado do padrão doutrinário cristão. Correntes de pensamento de fora da igreja estavam sendo bastante atrativas para muitos cristão de Colossos. Esta corrente de fora estava estragando a doutrina cristã com suas seguintes atrações: 1) cerimonialismo (2.16-17; 2.11; 3.11); 2) ascetismo (2.21; 2.23); 3) culto a anjos (2.18); 4) diminuição da importância e do papel de Jesus Cristo (1.15-20, nosso texto em questão, 2.2-3.9); 5) conhecimento secreto (2.18 e 2.2-3); 6) apelo à sabedoria e tradições humanas (2.4,8).
Todas estas questões estavam sendo misturadas e buscavam complementar o Evangelho. Em Cl 1.15-20, o apóstolo Paulo prepara terreno para tratar destas questões. Nestes versículos ele exalta a superioridade de Jesus Cristo. Ele é Senhor da criação e da reconciliação. Ele é o mediador entre Deus e os seres humanos.
Somos redimidos. Somos os transferidos. Mas ainda estamos em mudança, ou melhor, em viagem. Vamos curtir essa viagem. Mas precisamos ter cuidado para não esquecer o check-in, pois sem o mesmo não há embarque.
Como filhos redimidos, muitos são os que estão vivendo suas vidas simplesmente se aproveitando da viagem. Não que isso seja ruim, mas o perigo é se esquecer daquele que nos transportou da morte para a vida, das trevas para a luz – o Salvador Jesus Cristo. Amém.
(Portas Abertas 18 e Preciso Falar 25, pp. 222-224).

sexta-feira, 28 de outubro de 2016


Culto da Reforma
João 8.31-36
Jesus é a Verdade que nos Liberta!

Se exite uma palavra que cativa, que chama a atenção de cada um de nós, ela certamente é “liberdade”. Podemos até dizer que a “liberdade” existe de diversas formas. As propagandas comerciais vendem a ideia, o desejo de sermos livres, de termos a liberdade para fazermos o que bem queremos”. Algumas pessoas começam a sentir o gostinho de liberdade quando começam a trabalhar, garantindo assim seu sustento próprio e deixando assim de ser dependentes.
Há algo muito profundo dentro de nós que deseja, que aspira pelo sentir-se livre. No entanto, também há algo bem fundo dentro de nós que diz que ainda não o somos.
O texto de João, há pouco lido, fala sobre “liberdade”. E ao mesmo tempo em que ele fala sobre a liberdade, ele aponta para a única forma de consegui-la, ou seja, por meio da “verdade”: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.31-32).
Mas que “verdade” é essa? Em um mundo em que existem várias verdades, vários caminhos, será possível afirmar que existe uma única “verdade que liberta”? Esta poderia ser a pergunta de cada um de nós. Essa foi a pergunta do povo judeu. Como é que eles, que eram descendentes de Abraão, poderiam ser escravos; ou pior ainda, almejavam ser livres? E como poderia algo tão subjetivo como a verdade” os tornar livres? Com a sua objeção os judeus provaram neste diálogo que não eram livres, porque não conheciam a verdade sobre eles mesmos.
O povo judeu não compreendeu que Jesus estava falando da escravidão que atinge a todas as pessoas em todos os tempos; que não faz distinção entre “filhos de Abraão” ou “gentios”, mas que aprisiona a todos: a escravidão do pecado: “Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado” (v. 34).
Esta foi a realidade que Martinho Lutero descobriu, da qual ele próprio sentiu falta em sua igreja: o reconhecimento do pecado humano e da ação graciosa de Deus em nos libertar desta escravidão.
E quando a “verdade” e o permanecer firme na “Palavra” foram sufocados na igreja é que uma reforma se fez necessária. Não uma reforma com vistas à liberdade de crença. Nem mesmo com a intenção de se criar uma nove denominação, mesmo que isto tenha se tornado necessário depois. E muito menos uma reforma para se criar uma nova fé. Mas antes, uma reforma que trouxe de volta aos pecadores o consolo e a graça de Deus; uma reforma que colocou a “verdade que liberta” novamente em primeiro lugar na vida do povo de Deus.
E desta liberdade da qual Jesus fala ao povo e a qual Lutero via como o maior tesouro da igreja. Somente ela nos torna verdadeiramente livres do pecado e da condenação eterna; dos terrores da nossa consciência, que sempre de novo nos mostra o quão pecadores somos e o quão longe estamos de Deus. E a verdade que nos traz liberdade é esta: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” v. 36).
Nestas palavras repousam toda esperança, toda liberdade, todo consolo que a “verdade” que liberta pode trazer. Paulo reflete sobre ela da seguinte maneira: “Que Deus estava com Cristo (Filho, verdade) reconciliando consigo o mundo” (2Co 5.18). Negar esta verdade significa negar a própria liberdade.
Quando colocamos a nossa confiança em outros caminhos, em outas verdades, estamos longe de conseguirmos a verdadeira liberdade. E quando isto acontece, nossa fé está em perigo, a nossa salvação está em perigo, a nossa vida está em perigo. E isso tudo acontece porque estes caminhos são falsos. E eles nos desviam da Verdade”, do “Filho”, e de tudo aquilo que ele fez para nos dar a liberdade e a vida. E quando isto acontece, necessitamos urgente de uma nova reforma. Uma reforma que, assim como aconteceu com Lutero e a igreja do século XVI, coloque novamente Cristo no centro da pregação e da ida do povo de Deus, da sua Igreja.
Este é o único e verdadeiro caminho que conduz a cada um de nós à liberdade; que nos traz perdão, consolação e esperança; que revela a nós o amor de Deus e sua misericórdia. Quem nos dá a vida eterna é o Salvador Jesus. É em sua morte e ressurreição que encontramos a “Verdade” libertadora.
O reformador Martinho Lutero compreendeu muito bem o valor da obra de Jesus em favor de todos. Ele escreveu: “Creio que Jesus Cristo… é meu Senhor. Pois me remiu a mim, homem perdido e condenado, me resgatou e salvou de todos os pecados, da morte e do poder do diabo; não com ouro ou prata, mas com seu santo e precioso sangue e sua inocente paixão e morte, para que eu lhe pertença...” (Explicação do 2º Artigo do Credo, Catecismo Menor).
Lutero via perdão e liberdade na morte e ressurreição de Jesus – liberdade do pecado, da morte e do poder do diabo. E agora, por meio de Jesus, ele reconhece que também se torna filho de Deus.
Quando confessamos que somente em Jesus encontramos a verdade que liberta, também reconhecemos que recebemos dele vida, perdão e liberdade. E somos também tornados filhos de Deus.
Certamente temos muitas ideias sobre liberdade. E talvez nenhuma delas nos dê a verdadeira definição do que é liberdade. Mas Jesus nos mostrou onde podemos encontrar a verdadeira liberdade – uma liberdade que traz a cada um de nós vida, perdão e salvação; que nos liberta da escravidão do pecado, da morte e do diabo e que nos dá a certeza do amor de Deus por nós; uma liberdade que aponta para o único e verdadeiro caminho para a nossa salvação: Jesus Cristo. É por meio desta liberdade que podemos com confiança afirmar “Jesus Cristo é a Verdade que nos liberta”. Amém.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016


20º. DOMINGO APÓS PENTECOSTES
TEXTO: LUCAS 17.1-10
TEMA: A Boa Oração: Senhor, aumenta-nos a fé!

Quando os discípulos clamaram ao Senhor “aumenta-nos a fé”, eles estavam reconhecendo que somente assim poderiam agir como verdadeira igreja, preocupados com a manutenção do Reino de Deus. Então eles oram para:
1. Estar bem prevenidos contra as armadilhas mortais – os escândalos.
Armadilha dos outros contra nós. Há um sinal de alerta no ar. Acautelai-vos, pois “todos os espíritos do anjo das trevas procuram a derrota dos filhos da luz”. Assim se descreve o objetivo do diabo em relação ao mundo: enganar, derrubar, atrapalhar, matar a fé dos filhos de Deus. É assim que os filhos do mundo agem em todos os momentos, em qualquer situação. Tudo é feito com o objetivo de dificultar a nossa fé. Jesus disse: “Quem não é por mim, é contra mim; quem comigo não ajunta, espalha” (11.23). O cristão é chamado a vigiar e a crescer em tudo naquele que é o cabeça, Cristo, para que não seja enganado “pela astúcia com que induzem ao erro”.
A tentação e a sedução à apostasia são realizadas com muita astúcia e sutileza. Assim, muitos são os que caem em pecado por aceitarem passivamente os convites mundanos. Por trazer consigo a natureza pecaminosa, até gostam quando um “amigo” os convida para um futebol bem na hora do culto, ou para uma festinha, ou um passeio “inadiável”, ou até mesmo para um trabalho extra. Isto é como sentir prazer em tropeçar na armadilha, principalmente quando a queda se dá na alma. Nem queremos condenar aqui quem faz as armadilhas por parte do mundo (pois o mundo jaz do maligno) – como que querendo nos justificar, culpando alguém por nosso pecado. Foi assim que Adão agiu: “A mulher que tu me deste...”. É preciso que cada um olhe para dentro de si e reconheça a sua pecaminosidade. Por ignorância ou conveniência cometemos pecados que nos afastam de Deus e nos
colocam no caminho da perdição. Ao reconhecermos este fato, e o confessarmos, temos a promessa do Pai de que ele é fiel e justo para perdoar todos os nossos pecados.
2. Nossas armadilhas contra os outros.
Se precisamos nos prevenir contra as armadilhas que os outros colocam em nosso caminho, maior ainda deve ser o nosso cuidado para que nós mesmos não sejamos escândalos para os “pequeninos”. Porque ai do homem pelo qual o escândalo vem, diz a Palavra de Deus.
ESCÂNDALO é fazer tropeçar, ofender e atrapalhar. Ele surge não só por atitudes injustas e maldosas, mas também por falta de atitudes positivas em favor do irmão; não apenas praticar o mal, levando-o a pecar, mas também deixar de praticar aquilo que for necessário para a sua salvação.
É algo muito grave afastar alguém de Deus e levá-lo a pecar. Isso seria destruir aquilo que Deus construiu, separar o que Deus ajuntou – em última análise, é ser inimigo de Deus. Jesus condena severamente esta atitude e diz que seria uma tremenda vantagem se, antes que um homem arruinasse a vida de outro, fosse jogado ao mar com uma grande pedra de moinho atada ao pescoço, pois do fundo do mar ele não poderia sair e onde não haveria outro cristão a quem pudesse atrapalhar. Tal pena deve ser considerada como a única que está de acordo com o crime de destruir um dos filhos de Deus sem experiência.
Quantos são os que sempre estão prontos a conduzir um irmão ao erro! Quantos são os que estão sempre dando motivo aos fracos e indefesos na fé de se desviarem de Jesus pelo seu comportamento e pelo seu mau testemunho de vida. Por exemplo, pais que se esquecem da responsabilidade de levar os seus filhos a Cristo, que não se importam se eles vão ou não à escola bíblica infantil, ao catecismo ou até mesmo aos cultos. Alguns até dizem: “filho, vai à igreja”, mas se recusam a dizer: “filho, vai à igreja COMIGO”, pois não estão dispostos a algum sacrifício. Ainda dizem que, quando os filhos forem grandes, saberão o que decidir e o que fazer.
Quando semana após semana o filho presencia as discussões e as brigas dos pais, que negam o perdão um ao outro e até descaradamente vivem no pecado da desonestidade, infidelidade, na falta do domínio próprio e tantos outros frutos da carne, então no domingo (dia do culto) participam da Santa Ceia sem demonstrar nenhum sinal de arrependimento e desejo de mudar de vida. Assim estão ensinando a hipocrisia, estão atrapalhando, estão sendo tropeço. Jesus diz: “Ai do homem pelo qual vem o tropeço”.
Muitos praticam uma liberdade ilimitada na vida cristã e, abusando dela, fazem outros tropeçarem. Assim acontece, por exemplo, quando moças cristãs ainda não aprenderam a diferença entre o lícito e o que convém, usam trajes inadequados e se tornam uma forma de tentação no caminho dos outros, sendo a causa de tropeços.
Jesus diz: “Ai do homem pelo qual o escândalo vem”. “Ai” não é uma simples advertência, acusação ou exclamação, mas é uma sentença, um veredito que se realizará inevitavelmente, a menos que haja arrependimento e confissão.
Se você deliberadamente tem sido motivo de tropeço para alguém, ou tem atrapalhado alguém na sua fé, saiba que Deus está irado, pois você colocou-se obstinadamente como inimigo dele. Mas se você se arrepender e com o coração contrito buscar o perdão gratuito e amoroso de Jesus, que fez tudo para salvar a todos, você obterá o perdão e a reconciliação com Deus. Este Deus que “amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16), perdoará os seus pecados. Ele quer que todos cheguem ao conhecimento da verdade, creiam em Jesus e sejam salvos. Faça sempre a boa oração dos discípulos: “AUMENTA-NOS A FÉ – PARA ESTARMOS PREVENIDOS CONTRA AS ARMADILHAS MORTAIS, OS ESCÂNDALOS”.
3. Para ajudar-nos uns aos outros como irmãos.
Se já temos o mundo tentando atrapalhar os discípulos de tal maneira que pode destruir a nossa fé, devemos ajudar-nos uns aos outros como irmãos. Jesus quer que não nos esqueçamos dos outros, mas nos preocupemos para que os irmãos não caiam em pecado.
No momento em que um irmão comete um pecado, aquele que o vê ou que sabe deve ajudá-lo, mostrando-lhe a verdade e a possibilidade do perdão; deve repreendê-lo com o único propósito de chamá-lo ao arrependimento e a recuperação. Isto significa que não devemos simplesmente apontar o dedo acusador, colocando-nos em um pedestal de falsa santidade, como se disséssemos: eu não sou um pecador como você e por isso sou melhor do que você. Repreender sim, mas com o sincero desejo de não deixar o irmão debaixo da condenação de Deus. No momento em que o irmão se arrepender, Jesus ordena que ele deve ser perdoado.
Isto parece simples demais? O ofensor não merece ao menos um “castigozinho”? Jonas, o profeta, tinha este pensamento, contrário à vontade de Deus, diante do arrependimento dos ninivitas. No entanto, Deus lhe mostrou de que era misericordioso e compassivo. O povo de Nínive foi perdoado. Por Deus ser assim misericordioso é que cada um de nós ainda está na fé e tem o seu perdão. Assim como somos perdoados por Deus devemos perdoar os nossos irmãos.
Se Deus oferece o perdão ao pecador arrependido, por que vamos nós reter o perdão ao pecador arrependido e estabelecer penitências para ele? Conforme Lutero, esta é a grande e bendita função do sacerdócio real: libertar um irmão do seu pecado ao levá-lo ao arrependimento e anunciar-lhe o perdão de Deus, para alívio da sua consciência e uma vida de paz com Deus.
Jesus disse: “Se por sete vezes vier ter contigo, dizendo: estou arrependido, perdoa-lhe”. Esta é a nossa nobre missão no mundo: anunciar o perdão de Deus aos pecadores arrependidos e crentes na obra do Senhor Jesus Cristo.
Diante disso, é compreensível que os apóstolos tenham clamado por mais fé e também por uma fé forte; clamemos por mais fé para podermos fugir das armadilhas do pecado e para estarmos capacitados a ajudar os outros a permanecer com o Senhor e serem salvos. Amém.
(Portas Abertas 18 e Preciso Falar 25, pp.189-191)



domingo, 18 de setembro de 2016


18º Domingo após Pentecostes
Lucas 16.1-15
Como o Cristão deve Haver-se nas coisas do Reino de Deus!

Suplicamos na 3ª petição do Pai nosso: “Venha o teu Reino”. Oramos confiando que o Reino de Deus cresça nesta mundo. O que é que cada membro da igreja deve fazer para que isto aconteça? Como o cristão deve haver-se nas coisas no Reino de Deus? Deve deixar que elas se expandam, como epidemia que vai se alastrando, ou deve ser fiel à ordem de Cristo e empenhar-se na pregação do Evangelho? A resposta só pode ser uma, obviamente: Deus colocou nas mãos do seu povo o privilégio de cuidar bem do Evangelho. A primeira coisa, neste sentido, é que os “filhos da luz...”
1 – Devem ser fieis na administração das suas riquezas. A – O mesmo Deus que nos deu o Evangelho é o doador de todas as riquezas que possuímos. Podemos dizer que ele é o homem rico da parábola, pois confiou muitos bens e talentos aos seus administradores, os cristãos. Veja também, por exemplo, Adão e Eva. Deus lhes deu a vida e tudo. Como coroa da criação, deveriam cuidar de todas as coisas criadas. Esta agradável responsabilidade era harmoniosa e perfeita até a entrada do pecado no mundo. Por causa do pecado, o ser humano se tornou falho na sua administração do mundo de Deus e das riquezas que lhe concedeu tão bondosamente. Por causa disso:
B – DEUS REQUER FIDELIDADE de cada um de seus filhos. O que significa esta fidelidade? Que mostremos que somos fieis a Deus quando, de modo pleno e integral, expressamos CULTO E ADORAÇÃO A DEUS COMO SEUS FILHOS, pois toda a nossa vida é culto e adoração. Significa que devemos usar responsavelmente as nossas riquezas para cuidar: 1) da vida/saúde; 2) do bem estar pessoal e da família; 3) da educação; 4) do vestuário; 5) do necessitado; 6) e por fim, mas não por último, a favor do Reino de Deus. Em todo esse emaranhado de atividades, Deus pede o primeiro lugar. Ele quer ser sempre o primeiro e o único em nossas vidas. E mais: ele sempre pede as primícias”.
Jesus disse: Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco, também é injusto no muito” (v. 10). Ora, você não pode ser fiel a Deus parcialmente, ou apenas uma parte de sua vida. Você é um cristão a toda hora. A cada instante você deve agir responsavelmente, seja para com a família, o trabalho, o lazer, e em tudo o mais.
Jesus também diz que você deve ser fiel na aplicação de parte das suas riquezas em favor do Reino de Deus. Estas riquezas (ofertas) que vão para a igreja são para a causa do Evangelho. Resumindo, a vontade de Deus é esta: que você seja fiel na administração de todas as suas riquezas – riquezas que ele tão bondosamente
concedeu a você, inclusive a riqueza do seu Evangelho. Nesta parte, ele pede que você também seja fiel nas ofertas.
C – ENCONTRAMOS, PORÉM, UMA SÉRIA DIFICULDADE EM NOSSAS VIDAS. Um problema que é apontado claramente por Lucas. Na verdade, são duas atitudes pecaminosas: 1º) A ATIVIDADE DO ADMINISTRADOR (V. 1). Ele foi denunciado como quem estava a desfrutar os bens do homem rico. Ele era um sujeito que estava roubando do seu patrão em suas transações comerciais; 2º) A ATITUDE DOS FARISEUS, que ridicularizaram a Jesus (vv. 14,15). Eles eram os ouvintes de fundo desta parábola. Lucas nos diz que eles “eram avarentos”.
Desonestidade e avareza: eis o quadro pecaminoso apresentado. Dois grandes problemas que atingem o cristão e que o impedem de ser fiel na sua administração. Muitas vezes somos tentados com avareza para darmos atenção a algumas necessidades da vida e deixar outras de lado. Não cuidamos em subdividir nossas tarefas e compromissos. Outras vezes, um filho de Deus gasta demais em tantos cuidados da vida que se esquece da sua contribuição para a igreja. Ele está sendo desonesto e avarento. Ele está sendo fiel no pouco. (É duro afirmar isto, mas é uma verdade latente no Evangelho).
Acreditamos que há exceções: Há casos de necessidade em que um irmão na fé precisa mesmo é da nossa ajuda, ao invés de lhe arrancarmos o pouco que tem. Porém, a coisa se torna séria mesmo quando há frieza e desinteresse em relação à igreja. Não interessam mais os cultos, a Santa Ceia, o estudo bíblico, as ofertas e, sabe lá, não há preocupação com as almas perdidas.
Esta atitude de desonestidade e avareza é reprovada por Jesus. É pecado! E, além do mais, impede o crescimento do Reino de Deus entre nós. Portanto, diz Cristo: “Quem vos dará o que é vosso?” Em outras palavras: se vocês são assim infiéis,, como é que podem esperar receber a salvação eterna?
Se a infidelidade no Reino de Deus é algo tão sério, que pode levar-nos à condenação, precisamos reconhecer o nosso pecado e nos arrepender. Precisamos mudar de atitude e nos apegar ao único que nos pode perdoar: Cristo! Ele sempre foi fiel no pouco e no muito. Por amor a nós, ele se dedicou fielmente à causa do Reino de Deus. Ele sempre teve um propósito: fazer a vontade do Pai. Ele foi obediente até a morte na cruz. Ele fez isso por você, porque lhe ama e quer a sua salvação. Ele empenhou-se ao máximo. Ele, na verdade, não quer as suas riquezas, mas a sua vida, o seu amor.
Jesus também quer salvar outras pessoas. Por isso ele quer a sua fidelidade! Você pode ser fiel porque Deus deu para você esta capacidade. Ele lhe deu tudo nesta vida, especialmente a salvação. Além da fidelidade, tem outra coisa que Jesus pede de nós aqui neste texto:
2. Que sejamos sábios e hábeis nas coisas do seu Reino.
A – SOMOS ESTIMULADOS A AGIR CONFORME O ADMINISTRADOR INFIEL. O quê? Como? Este conselho é surpreendente. Como entender?
Esta parábola apresenta uma dificuldade na sua interpretação. O problema está no elogio que é feito ao administrador (v. 8) que claramente foi um sujeito desonesto.
Note bem: não se está aprovando a atitude do administrador. Não se está aprovando a sua desonestidade, mas a sua habilidade (vv. 4-7). Jesus não está de acordo com seus atos desonestos, pois estes foram condenados no v. 1, onde lemos que “foi denunciado como quem estava a defraudar os bens do homem rico”.
Se nós nos perguntarmos qual é a principal lição desta parábola, a resposta é uma só: é a provisão, o preparo para o futuro. Não nos moldes do mundo, mas do Evangelho, porque, conforme o v. 13, “ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de aborrecer-se de um e amar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”. Neste sentido, Jesus pede fidelidade a Deus – em tudo!
Jesus conclui a parábola dizendo: “Porque os filhos do mundo são mais hábeis na sua própria geração do que os filhos da luz”. Somos concitados a imitar o mundo na prudência, sabedoria, empenho, entusiasmo, ardor, fervor! Numa proporção muito maior, os filhos da luz devem se aplicar nas coisas do Reino de Deus. Estamos sendo hábeis em relação a isso?
B – O MUNDO ASSUME A SUA CONDIÇÃO NAQUILO QUE FAZ. a) Olhamos para os fariseus e os vemos acirrados em relação à própria religiosidade (vv. 14,15). Infelizmente, rejeitaram o Messias numa proporção condenatória. Além do mais, o seu modo de agir era “abominação diante de Deus”.
b) Olhamos para “os filhos do mundo” - para o modo como trabalham e vendem seus produtos: filmes, novelas, revistas, pornografia, etc. E conquistam o seu público, que gasta fortunas consumindo estes produtos.
c) Por outro lado, olhamos também para o trabalho dos cientistas e a sua dedicação às pesquisas tecnológicas. Vemos o seu empenho para descobrir novos caminhos que conduzam a um maior avanço científico para o bem da humanidade.
Admiramos estas pessoas e deveríamos imitá-las, não no que está errado em relação a elas, mas a sua sabedoria e habilidade, o seu empenho.
C – Você é um cristão. Um FILHO DA LUZ! Assuma quem você é! FAÇA PROVISÃO PARA O FUTURO, PARA A ETERNIDADE! A recomendação de Jesus é esta: “Das riquezas de origem iníqua fazei amigos, para que quando estas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos” (v. 9). Embora este versículo não seja o ponto climático da parábola, é aqui que encontramos a chave para a sua compreensão. É no sentido deste versículo que o cristão deve SER FIEL e 
usar toda a sua sabedoria.
Riquezas de origem iníqua”. O que vem a ser isso? São todas as riquezas deste mundo. Cada coisa deste mundo está manchada pelo pecado. Nesse sentido, todas as riquezas deste mundo são de origem iníqua. Assim, a instrução de Jesus é no sentido de usarmos sabiamente as nossas riquezas (inclusive: bens, dons, talentos, habilidades). E como? Fazendo amigos para o Reino de Deus. Quer dizer que nós, os cristãos, segundo Jesus, devemos usar as nossas riquezas em favor da causa do Evangelho de uma forma tão sábia e fervorosa quanto os filhos do mundo as usam para seus propósitos materiais.
Nossa verdadeira riqueza está no céu. Nosso propósito aqui na terra é de trabalhar em favor da pregação do Evangelho e assim fazermos amigos”. Então, diz Jesus, quando o dinheiro (riquezas) nos faltar, quer dizer, quando morrermos e o dinheiro não adiantar para mais nada, então os amigos que ganhamos para Deus nos darão boas-vindas no céu. O próprio Deus nos receberá com muita alegria. Haverá provisão maior e mais sublime que esta?
D – De que maneira você está aplicando as suas riquezas e os talentos que Deus lhe deu? Precisamos nos dedicar às coisas relacionadas ao seu Reino. Precisamos ser dedicados a ele. Somos filhos da luz, do grande Pai. E mais do que isso: ele nos deu o seu perdão e o seu amor. E ele nos capacita com muitas riquezas, materiais e espirituais, riquezas de origem iníqua e riquezas eternas em Jesus Cristo. Fomos todos chamados para servir. Não importa se você sabe muito ou pouco, se tem muito ou pouco; não importa a sua cultura: você deve servir. Todos nós temos uma tarefa designada por Deus! Seja ela qual for, devemos nos dedicar a ela com afinco.
Deus, o doador de todas as riquezas, que que sejamos fieis na administração de todas as coisas que ele nos deu neste mundo. “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará” (Jó 6.21). Da mesma forma, como os filhos do mundo são habilidosos no seu trabalho, muitas vezes pecaminosos, sejamos ainda mais acirrados e fervorosos na causa do Evangelho. Sabemos que, por fim, Deus nos dará o que é nosso. Ele nos receberá com alegria nos tabernáculos eternos. Amém!
(Portas Abertas 18 e Preciso Falar 25, pp. 182-185)

quinta-feira, 21 de julho de 2016


10º Domingo após Pentecostes
Lucas 11.1-13
Oração – uma expressão de fé!

Introdução. É muito interessante notar como muitos membros de nossas igrejas tem pouca noção de como orar. Tecnicamente sabem o que é orar, mas a prática deixa-se muito a desejar. Por outro lado, não é uma grande surpresa, pois os próprios discípulos de Jesus não tinham ideia de como colocar em prática o conceito da comunicação com Deus.
A verdade é que existem muitas maneiras de orar, e a oração que Jesus ensina aos discípulos é um modelo, um exemplo do relacionamento existente entre o ser humano e seu Criador. Outra coisa importante que se deve notar é que muitas vezes chamamos o Pai Nosso de “oração do Senhor”, quando ela deveria ser chamada de “oração dos discípulos”. (A oração do Senhor Jesus está registrada no Evangelho de João, no capítulo 17).
Também é importante ressaltar que a verdadeira oração é sempre uma expressão de fé e confiança naquele que nos ama e deu Jesus como Salvador. Na carta aos Hebreus nos é dito que nós podemos chegar ao “trono da graça de Deus” exatamente porque Jesus nos abriu as portas. Escute este texto: “Por isso tenhamos confiança e cheguemos perto do trono divino, onde está a graça de Deus. Ali receberemos misericórdia e encontraremos graça sempre que precisarmos de ajuda” (Hb 4.16).
Como Orar. Existem muitas formas de orar. Algumas pessoas oram em forma de diálogo com Deus. Podemos fazer isto? Com certeza, pois Deus nos dá a liberdade de chamá-lo de Pai. Mesmo que não seja um texto bíblico, o conhecido hino “Em Jesus Amigo Temos” nos diz que podemos chegar a Jesus em oração da mesma maneira como falamos com um “velho e bom amigo”, com quem conversamos em todas as oportunidades que temos, várias vezes por dia, como conversamos com alguém via celular ou enviando uma mensagem de texto. Fazemos isto quando acontece algo de bom, quando estamos enfrentando dificuldades ou quando alguém outro está passando por estas situações.
Outras pessoas preferem orar de maneira formal, ou seja, usando orações estruturadas e previamente escritas – como as orações da manhã e da noite escritas por Martinho Lutero.
Já outros preferem usar uma sequência, começando com Adoração, Confissão de pecados, Ação de Graças e concluindo com uma súplica em favor de outros e de si próprio. Este método nos ajuda a lembrar sobre diversos tópicos em uma oração. Também podemos orar usando cânticos e salmos.
 
Apesar de toda liberdade que temos em termos de oração, os discípulos pedem ajuda a Jesus. Ele recita para eles o Pai Nosso que todos conhecemos e que é um maravilhoso esboço de como orar. Começamos a oração que Jesus ensinou honrando a Deus e depois pedimos aquelas coisas de que precisamos, como pão, perdão e libertação do mal.
Mas a intenção de Jesus não é de que usemos somente esta oração, apesar de ser um excelente lugar para começar. Podemos usar diferentes métodos para nos comunicarmos com Deus, mas o mais importante é a nossa atitude.
Um menino de 11 anos encontrou um maço de cigarros e decidiu experimentá-los. Ele foi ao campo do lado da sua casa e depois de várias tentativas ele conseguiu acender um cigarro. Ele se engasgou com a fumaça e ficou com um gosto horrível em sua boca. Foi neste momento que ele viu o seu pai vindo em sua direção. O menino tentou esconder o cigarro e desviar a atenção apontando para uma placa de publicidade que anunciava a chegada de um circo. O menino disse: “Pai, podemos ir ao circo hoje à noite? Por favor, podemos?” O pai respondeu com voz firme: “Filho, nunca faça um pedido quando você estiver escondendo uma flagrante desobediência”.
Com que atitude você ora? Temos dúvidas? Somos vagos em nossas orações? Ou oramos de maneira agressiva, tentando determinar a Deus o que ele deve fazer? Ou será que existe um meio termo entre estes dois extremos?
Por um lado, não podemos ficar com medo de pedir a Deus aquilo que precisamos, afinal, Jesus nos deu a liberdade de chamar a Deus de Pai. Se as nossas orações não são feitas com confiança e convicção, sem pedidos concretos, estaremos apenas dizendo palavras sem muito sentido, mesmo que elas contenham muito louvor e gratidão.
Claro que podemos dizer a Deus: Deus, tu sabes o que é bom para mim. Por esta razão quero deixar a decisão para ti”. Porém, eu creio que é muito melhor que façamos pedidos específicos. Por exemplo, quando estou com muito fome eu peço para que a minha esposa prepare uma refeição. Eu não digo: “Hummm, eu preciso algo, mas tu sabes o que preciso; então deixo em tuas mãos decidir o que vais me dar”. Em vez disto, falo para ela com convicção: “Estou com fome. Podes preparar uma janta para nós? Ah, eu gosto muito de feijão, arroz, carne com molho e uma saladinha”. Eu creio que Deus deseja que sejamos gentis, amorosos, mas ele também quer que falemos claramente o que precisamos, pois isto demonstra fé! Tiago diz: “Porém peçam com fé e não duvidem de modo nenhum, pois quem duvida é como as ondas do mar, que o vento leva de um lado para o outro. Quem é assim não pense que vai receber alguma coisa do Senhor, pois não tem firmeza e nunca sabe o que deve fazer” (1.16-18).
 
E quando há problemas… Deus sempre deseja o melhor para nós. Mas como este mundo deixou de ser perfeito, problemas acontecem, e eles não parecem e realmente não são positivos para a nossa vida. Todavia, nós podemos ter a certeza de que Deus, em sua graça, pode transformar estas circunstâncias negativas em algo positivo. O apóstolo Paulo afirma isto em Romanos 8.28. Por esta razão é que podemos orar e agradecer a Deus, mesmo pelas dificuldades, porque ele as torna em bênçãos.
Claro, quando alguém que você ama tem câncer, ou quando você perde o seu emprego, ou quando há guerra, e quando violência e corrupção predominam, é difícil entender os motivos. É nestas situações que precisamos buscar a Deus em oração e pedir que ele interfira e modifique estas circunstâncias.
Jesus disse aos seus discípulos que, se tivessem fé suficiente quando orassem, poderiam ordenar que uma montanha se atirasse ao mar e isto iria acontecer. Peçam e vocês receberão; procurem e vocês acharão; batam, e a porta será aberta para vocês”. Foi isto que Jesus disse!
Também é bom lembrar que precisamos deixar tudo, absolutamente tudo, nas mãos poderosas e amorosas de Deus. E isto é outra demonstração de fé! Mesmo quando a situação é muito dolorosa, extremamente complicada, deixe Deus ser Deus. Mas um aviso: isto não é nada fácil. Deus decide o que vai fazer, mesmo quando nossos planos são diferentes dos dele.
Nós não podemos dizer a Deus como e quando ele deve fazer as coisas acontecerem. Todos nós fazemos isto por vezes. Confesso que tenho esta tendência, mas preciso lembrar de que Deus não é meu empregado, mas que é Senhor! Ele não está aí para satisfazer os meus desejos e acatar as minhas “ordens”. Ele atende as orações, mas sempre de acordo com o que de fato é melhor para nós, não necessariamente de acordo com o que nós pensamos ser o melhor.
Seguindo o exemplo de Abraão. Vamos visitar por alguns momentos o texto do AT. Aqui encontramos Abraão. Ele nos ensina uma lição sobre a oração: sermos persistentes com Deus. Parece que Abraão faz o papel de advogado de defesa ao apresentar o seu caso diante de Deus, o Juiz. Como Advogado, ele não abandona os seus “clientes”. Ele argumenta, fazendo todo o possível para que Deus mude o seu julgamento e não destrua as cidades de Sodoma e Gomorra.
A história é conhecida. Deus toma conhecimento da imoralidade das duas cidades e vai verificar a situação e chega à conclusão de que a destruição é iminente. Ele tem este direito, mas Abraão mantém a sua posição: Será que vais destruir os bons junto com os maus?” Ele pede que Deus imagine que existem 50 pessoas justas em Sodoma e Gomorra (o que não é um grande número de pessoas). Ele diz: “Não é possível que mates os bons junto com os maus, como se todos tivessem
cometido os mesmos pecados”.
Abraão sabiamente coloca a justiça de Deis diante da misericórdia de Deus. Basicamente o que ele diz é isto: um Deus de amor jamais faria isto!” E assim ele insiste. Então ele pergunta a Deus se destruiria a cidade mesmo que existam nela apenas 10 justos.
A persistência de Abraão é um exemplo da parábola da viúva e do juiz que Jesus contou em Lc 18. A viúva persistente ganhou a sua causa naquela parábola. Jesus ensina os discípulos a orar sempre e nunca desanimar.
Qual pé a lição aqui? Deus está disposto a ouvir e a considerar cuidadosamente os nossos pedidos em qualquer situação, mas se pedirmos o que é correto, pois ele próprio diz nas Escrituras que não deseja que ninguém se perca. Mas lembre-se de que Abraão fez estes pedidos, estas orações, com toda a humildade, dizendo: sou um simples mortal. É assim que precisamos orar: com humildade, simplicidade, como um filho conversando com um pai amoroso.
Além disso, podemos (e devemos) interceder pelo nosso país e pelo mundo, que estão se perdendo em imoralidade. Também devemos orar por aqueles que estão passando por dificuldades, fome, perseguição, câncer; e por aqueles que estão longe de Jesus para que ele tenha compaixão deles.
Conclusão. Quero encorajar a todos os irmãos e irmãs a chegar diante de Deus com reverência, humildade, mas acima de tudo, com fé, sabendo que ele tudo pode e que deseja p bem de todos, especialmente dos seus filhos, por meio de Jesus Cristo.
O mundo precisa das nossas orações, que são expressões de nossa fé, do nosso relacionamento com Deus. As nossas cidades, as nossas igrejas, as nossas famílias precisam das nossas orações para que pessoas sejam perdoadas e salvas, para que guerras sejam evitadas e fomes saciadas. Tiago diz: “A oração de uma pessoa obediente a Deus tem muito poder” (5.16).
Eu quero ser fiel nas minhas orações. Eu desejo que as orações de todos os filhos de Deus sejam continuas, pois assim talvez o mundo comece a se tornar mais como Deus quer que ele seja. Isto é exatamente o que Jesus disse quando ensinou os seus discípulos a orar: “Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu Reino; dá-nos cada dia nosso pão cotidiano; perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a qualquer que nos deve; e não nos conduzas em tentação, mas livra-nos do mal”.
E então, a sua fé está se manifestando em forma de orações? Deus é o nosso Abba” (forma carinhosa de Pai em aramaico) e a nossa fé nos leva até ele, pois prometeu que iria ouvir os nossos pedidos porque somos os seus filhos. Este “Abba” ama muitos os seus filhos, mas muito mesmo. Amém!
 
(PA e PF, pp. 149-153)

quarta-feira, 13 de julho de 2016


9º Domingo após Pentecostes
Lucas 10.38-42
Ouvir a Palavra de Jesus e Entender Corretamente a Lei!

À primeira vista, o texto simplesmente apresenta duas mulheres. Uma estava sempre ocupada e era incansável no trabalho doméstico. Tudo precisava estar limpo, arrumado para receber o visitante. A outra mulher era um tanto despreocupada. Sua atenção estava totalmente voltada ao visitante; afinal, a limpeza e a arrumação poderiam ficar para outro momento.
Qual das duas mulheres se parece com você?
Por um breve momento Jesus deixa os seus discípulos continuando a viagem para Jerusalém. Cerca de três Km antes da cidade, ele entra em uma vila, Betânia, e conhece a família de Lázaro, Maria e Marta. O evangelista Lucas não apresenta Lázaro; apenas foca, neste primeiro contato entre Jesus e a família, um fato doméstico bem peculiar.
Em uma casa com mais de uma mulher (como mãe e filha, por exemplo) é comum que uma delas faça as honras da casa e a outra prepare um lanchinho para a visita.
A hospitalidade é uma característica cristã e é recomendada pela Bíblia. Ela era tida como um dever sagrado. Entre os cristãos chegou a ser um importante vínculo, tanto pela proteção que se oferecia ao visitante, como pelas oportunidades de estímulo mútuo e companheirismo. Por isso, as Escrituras dão muito destaque a ela. Ouvimos recomendações como estas: Não negligencieis a hospitalidade, pois, alguns, praticando-as, sem saber acolheram anjos (Hb 13.2)”, “Compartilhai as necessidades dos santos; praticai a hospitalidade (Rm 12.13)”, “Sede, mutuamente, hospitaleiros, sem murmuração (1Pe 4.9)”.
Sendo assim, é fácil compreender a reação de Marta. Pra ela era incompreensível ver Jesus observando Maria aos seus pés, ouvindo seus ensinos, enquanto que trabalhava sozinha. Talvez Marta estivesse pensando consigo: Que Jesus é esse? Sabe que a hospitalidade é um dever sagrado e não diz nada pra minha irmã vir me ajudar”.
Assim, indignada com a postura de Jesus e da irmã, que estava se aproveitando da situação de um visitando não lhe repreender quanto à falta de hospitalidade, resolve externar sua indignação: “Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me (Lc 10.40)”.
Jesus não reprova a atitude hospitaleira de Marta. Na verdade, ele, Jesus, reprova a sua inquietação. Por mais que Marta estivesse se esforçando em receber bem a Jesus, ela estava “chateada”, pois Maria ouvia Jesus e ela, agitada, preparava tudo com muito carinho.
Diante da indignação de Marta, Jesus, repetindo seu nome por duas vezes, mostrou o quanto a amava. No entanto, ela havia se deixado levar pela agitação do seu dia. Ao dizer “Marta! Marta!”, Jesus desejava tocar seu coração para aquilo que de fato era importante e necessário naquele momento. Assim, Jesus censura a Marta por causa de sua mente dividida, ou seja, ela não sabia o que fazer. Não sabia se deveria se preocupar com os seus afazeres ou se deveria ouvir as palavras que Jesus estava transmitindo a Maria. Claro que a censura de Jesus é suave, pois amava Marta e queria sua salvação. O problema é que Marta estava inquieta, chateada.
Jesus diz para Marta que o amor dela, por mais que seja demonstrado e valorizado pela hospitalidade, ainda lhe falta algo.
Mas, o que falta para Marta? Bem, Jesus não dá a resposta. No entanto, a julgar pelo texto, pode-se concluir que Maria optou em não se deixar distrair com nada. Ocupou-se apenas com uma coisa. Já Marta queria fazer tudo ao mesmo tempo. Maria, aos pés de Jesus, ocupava-se de apenas uma: das palavras de Jesus.
Maria estava tão convicta da melhor parte que nem o fato de sua irmã tê-la repreendido, falando com Jesus sobre a situação, a fez desistir de ouvir as suas palavras. Nelas ela encontrou paz e descanso, e justamente essa paz e esse descanso não lhe seriam tirados (Lc 10.42).
Este foi o convite de Jesus: Marta! Marta! Escolha descansar a sua alma e o seu coração. Não fique ocupada e distraída com coisas que também são importantes, mas que apenas lhe afligem. Ocupe-se com aquilo que de fato vai lhe tranquilizar: a minha palavra.
Após o convite de Jesus a Marta houve outros episódios entre eles, Maria, Marta e Lázaro. Segundo o apóstolo João em seu Evangelho, Lázaro foi ressuscitado pouco antes de Jesus ser crucificado em Jerusalém. No relato de Lucas vemos Marta recebendo um valioso convite. Segundo o relato do Evangelho de João, Marta parece confiante e tranquila, tanto que confessa: “Eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo (Jo 11.27)”.
O convite amoroso de Jesus continua sendo feito: Fulano! Andas inquieto e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa: a minha Palavra. Amém!
(Portas Abertas 18 e Preciso Falar 25, pp.146-148)

terça-feira, 12 de julho de 2016


8º Domingo após Pentecostes
Lucas 10.25-37
Jesus, o Bom Samaritano!

O texto do Evangelho traz um diálogo entre um Mestre da Lei e Jesus. Neste diálogo podemos notar o quanto o ser humano é mesquinho, soberbo e ignorante sobre a questão da salvação.
Relembremos o diálogo. O Mestre da Lei perguntou a Jesus: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Ao que Jesus respondeu com outra pergunta: Que está escrito na Lei? Como interpretas? O Mestre da Lei, conhecedor de toda ela, respondeu: amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Jesus, conhecedor do coração humano, respondeu: respondeste corretamente; faze isto e viverás. O Mestre da Lei, que havia sido atingido em seu egoísmo e orgulho, perguntou: quem é o meu próximo? Jesus respondeu contando a história do bom samaritano, o que fez o Mestre da Lei concluir que o próximo é todo aquele que necessita de ajuda.
Chama a atenção neste diálogo que o interprete da Lei conhece toda ela, mas não conhece a prática dela, tanto que pergunta: “Quem é o meu próximo?”
Esta pergunta, em minha opinião, traz à tona a soberba dele. Pois, ao responder que está escrito na Lei que se deve amar a Deus e ao próximo, sua pergunta parece revelar que ele sabia quem era Deus. No entanto, a sua pergunta poderia ser: “Quem é Deus?” ou “Como é Deus?”. Afinal, justamente por não conhecer a misericórdia e o amor de Deus ele e todos os intérpretes da Lei cometem o mesmo equívoco: querem obter a vida eterna por meio do cumprimento da Lei.
O diálogo entre o Mestre da Lei e Jesus é riquíssimo. Ele traz muitos ensinamentos e penso que apenas um sermão não consegue esgotar o assunto. Mas o pouco que conseguirmos aprender já será um enorme aprendizado.
Um dos objetivos de Lucas neste Evangelho era apresentar Jesus, sua vida, suas atividades, suas características pessoais em meio à multiplicidade de situações religiosas, políticas e sociais em que se desenvolve o drama humano.
Um dos maiores dramas humanos é justamente querer saber: o que fazer para herdar a vida eterna?
Para responder de maneira satisfatória, Jesus lança uma questão reflexiva: “O que está escrito na Lei? Como interpretas?”
Muitos sabem o que está escrito na Lei, mas a questão é: “Como interpretas?”
Segundo as mais variadas interpretações, viverá aquele que andar segundo a Lei. Na epístola de Paulo aos Gálatas é ensinado que todos quantos, pois, são das obras da Lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: maldito aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da Lei, para praticá-las. É evidente que, pela Lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé” (Gl 3.10-11).
Ninguém consegue cumprir a Lei. Tanto que, ao observar essa verdade, o intérprete que dialogou com Jesus, buscando se justificar, perguntou: “Quem é o meu próximo?”
Os samaritanos são uma mistura de povos da Assíria e de outras regiões com israelitas. Eles quiseram unir-se aos judeus quando estes voltaram do exílio babilônico, mas Zorobabel e Neemias não concordaram (Ed 4.2,3; Ne 2.19-20). Deste momento em diante a inimizade entre os dois povos se tornou evidente.
Quem são os samaritanos hoje? Infelizmente, reina entre as pessoas o racismo, e não apenas por causa da cor da pele, mas também por causa de questões sociais, políticas, eclesiásticas, etc. Os samaritanos, bem, estes são atuais e vivem ao nosso redor.
Jesus sentiu na própria pele a rejeição devido a esta diferença entre os judeus e os samaritanos. Ele havia sido rejeitado pelos samaritanos seis meses antes da sua crucificação (Lc 9.52-53).
Parafraseando um dito popular: rejeição gera rejeição!
Graças a Deus que esta verdade só vale para nós pecadores. Afinal, Jesus não rejeitou ninguém, mas morreu por todos.
A interpretação dos judeus de amar ao próximo se estendia apenas aos israelitas e estrangeiros estabelecidos em Israel. Assim, se vangloriavam que estavam cumprindo a Lei. E esta era a resposta que o Mestre da Lei queria obter de Jesus. O diálogo que ele propôs tinha como objetivo vangloriar-se. No final, tudo o que ele desejava era ser elogiado por Jesus como alguém que de fato conhecia e vivia de acordo com a Lei. Mas a sua interpretação estava equivocada e Jesus mostrou que é “maldito aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da Lei, para praticá-las”, como diz Gl 3.10.
O que fazer para herdar a vida eterna?” Esta é a pergunta de milhares de pessoas. E para elas Jesus responde com outra pergunta: “O que está escrito na Lei? Como interpretas?”
O Livro da Lei diz: “Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (Lv 19.2).
Primeiro, só pode ser santo quem conhece o santo Deus. Sem ser filho ou filha de Deus não há possibilidade de ser santo. As palavras da Lei são ditas aos filhos redimidos de Deus. Quem havia passado pela libertação da escravidão no Egito agora, como livre, viveria a sua liberdade em todos os lugares e em todas as situações e com qualquer pessoa.
A Lei não me salva, mas apenas me conduz a minha real situação: pecador perdido e condenado. Ms a boa notícia do Evangelho é que “Cristo nos resgatou da maldição da Lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar” (Gl 3.13).
Jesus é o Bom Samaritano que veio ao nosso encontro. Afinal, nem a Lei pronunciada pelo sacerdote e pelo levita foram capazes de levá-los a socorrer o necessitado.
Fomos socorridos por Deus em Jesus, pois “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Amém. (Preciso Falar e Portas Abertas, pp. 142-145)